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Pereira da Silva
Fragata

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Portugal
Fragata classe
Pereira da Silva
(tipo Dealey)
Dealey

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 1450 Ton
Deslocamento máx. : 1914 Ton.
Tipo de propulsão: Turbina a vapor
Comprimento: 95.9 M - Largura: 11.2M
Calado: 5.5 M.
2 x Caldeiras (nafta) ()
2 x Turbinas acopladas Tipo De Laval (20000cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 176 Autonomia: 8000Km a 15 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 26 nós

Canhões / armamento principal
1 x Bofors / BAE Systems Mort.375 Mod 1954 (Calibre: 375mm/Alcance: 3.6Km)
4 x US Naval Gun Factory 76mm / 50 (US) Mk33 (Calibre: 76mm/Alcance: 12.8Km)

Radares
- Northrop-Grumman/Westinghouse AN/SPG-34 (Director de tiro - Al.med: Km)
- ALENIA-Marconi MLA-1b (Pesquisa aérea - Al.med: 126Km)

Sonares
- Thomson-CSF / Thales DUBA-3A / Pesquisa activa/ataque
- Northrop-Grumman/Westinghouse SQA-10 (VDS) / Profundidade variável
- Sangamo Electric AN/SQS-30 / Pesquisa activa/passiva


Forum de discussão

As fragatas da classe Pereira da Silva, foram três unidades da classe americana Dealey, que são dos primeiros navios construídos depois da segunda guerra mundial, com o objectivo de contrariar o esperado aumento exponencial do numero de submarinos soviéticos a operar nas águas do Atlântico Norte.

Estas fragatas, dispunham de uma velocidade elevada para a altura, em que ainda estavam ao serviço muitos dos contratorpedeiros e escoltadores vários, construídos para perseguir submarinos e escoltar os lentos navios de transporte, que supriam as necessidades dos exércitos aliados na Europa.

A principal arma, era a nova torre dupla com dois canhões de 76mm com funções antiaéreas, que era controlada por radar. O navio era extremamente eficiente, mas ao mesmo tempo, também foi considerado extremamente caro.
A situação em África, no inicio dos anos 60, levou Portugal a restringir os investimentos militares em áreas consideradas não vitais. Por isso, a marinha portuguesa, encontrava-se na altura, numa situação algo complicada, com apenas um navio relativamente moderno, sendo o resto da frota, constituída por navios anteriores à segunda guerra mundial. (Em 1961, é afundado em combate o Aviso (canhoneira) Afonso de Albuquerque, em combate contra fragatas da União Indiana, o que demonstrou a total obsolescência dos meios navais portugueses. Perante a pressão norte-americana, são encomendados em Abril de 1961, inicialmente dois navios, a que se junta mais tarde a encomenda de um terceiro em Novembro de 1962.

A construção das Pereira da Silva, decorreu em Portugal, mas foi vitima de inúmeros problemas, de entre os quais se destacaram, por um lado a dificuldade dos estaleiros portugueses em construírem navios que apresentavam uma sofisticação considerável para a época, e por outro, pelas opções do governo em termos de orçamento de um país que estava em guerra. Além disso, uma vez que Portugal não poderia utilizar estes navios em África, as fragatas da classe Comandante João Belo, encomendadas a estaleiros franceses, tiveram clara prioridade, uma vez que não teriam restrições de utilização.

As João Belo, eram aliás, mais poderosas que as Pereira da Silva. Mais pesadas, (embora bastante mais lentas), vinham equipadas com três canhões de 100mm de tiro rápido, que as tornavam muito mais capazes que as Pereira da Silva, nomeadamente em operações junto à costa. A preferência em termos de orçamento, foi dada sempre aos navios franceses. As Dealey/Pereira da Silva, foram sendo preteridas.

As Comandante João Belo, foram encomendadas em 1964, e começaram a ser entregues em 1967, sendo a última entregue em 1969. entretanto, o programa de construção das Pereira da Silva marcava passo. a última unidade só foi entregue em 1968, e quando foi entregue, já tinha necessidade de algumas alterações, como as que foram feitas às Dealey americanas, que passaram por alterações ao nível dos sistemas de combate, electrónica e armamentos. No entanto, a classe Dealey era relativamente pequena, e essa era também uma das razões para não fazer alterações aos navios. Os americanos reconheceram isso mesmo, ao abandonar a classe em 1972, em favor de fragatas com o dobro do deslocamento, como eram as fragatas Knox.

Entretanto, as fragatas francesas tinham, a clara preferência.
Mesmo com o fim da guerra em África, as Pereira da Silva, foram sempre consideradas como "parentes pobres" embora tivessem potencialidades para se transformar em navios bastante mais poderosos, se houvesse vontade de efectuar as alterações.
A Noruega, que comprou seis unidades (pagando apenas metade, dado a outra metade ter sido paga pelos Estados Unidos) continuou a modernizar as suas fragatas Dealey, e ao contrário de Portugal, não as substituiu no inicio dos anos 90.
Em 1985, a última Pereira da Silva, foi " encostada". Os navios estavam completamente obsoletos, mercê do pouco investimento que neles se fez. Os equipamentos que tinha, por serem obsoletos, necessitavam ser modernizados, e a tradicional falta de verbas impediu qualquer modernização. Eventuais problemas e falhas, ocorridos durante a construção, que terão danificado a estrutura do navio, também podem, a ter ocorrido, estar na origem da decisão de não investir nestes navios.
Por tudo isto, as fragatas João Belo, continuavam a ser vistas como mais merecedoras de upgrades. Tanto que até ao final dos anos 80, ainda havia planos para instalar mísseis Exocet nas fragatas da classe João Belo, e mesmo para lhes instalar um hangar para a operação de helicópteros. No fim, nem as três Pereira da Silva sofreram qualquer intervenção de nota, nem as quatro João Belo foram modernizadas (excepção feita a equipamentos de Sonar e remoção de peças de 100mm).

As fragatas da classe Pereira da Silva, foram efectivamente substituídas pelas fragatas da classe MEKO-200, Vasco da Gama.


Informação genérica:
Classe de fragatas de concepção norte-americana, classificadas como "Destroyer" ou Contra.torpedeiro. A classe serviu nos Estados Unidos e versões deste navio foram igualmente construidas pela Noruega e por Portugal


   
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