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Batalha de Porto Artur
Periodo da Revolução Industrial
08-02-1904

Este acontecimento teve inicio em: 08-02-1904 e terminou em 09-02-1904
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:

Japão

Império Russo


A batalha de Porto Artur, ou bloqueio de Porto Artur, é a primeira acção militar na guerra entre a Rússia e o Japão, que se iniciou em Fevereiro de 1904.

Antecedentes da batalha
A tensão entre os dois países, que acabou por levar à guerra, está relacionada com a vitória japonesa sobre a China ocorrida em 1895. Com essa vitória a China cedia ao Japão vários territórios, mas a intervenção russa, acabou por levar à pressão sobre o Japão para que a Coreia se tornasse um estado independente e não parte do império japonês.

A Rússia, foi tomando posições nas proximidades da Coreia e em 1898 assinou um acordo com a China, para a cedência de uma base no Mar Amarelo, onde hoje se encontra a cidade de Lushun, a sul do importante porto chinês de Dalian.
A base ficou conhecida como Porto Artur e os russos começaram imediatamente a construir fortalezas e a instalar artilharia de costa em volta da enseada abrigada que constituía um abrigo perfeito para navios. A instabilidade política na China, forneceu aos russos um pretexto para enviarem mais tropas para a Manchúria, o que poderia ameaçar a Coreia.

A tensão entre russos e japoneses continuou a aumentar. Enquanto os japoneses começavam a enviar colonos para a Coreia e a tratar o território como seu, iniciando mesmo a construção de uma linha de caminho de ferro, os russos faziam o mesmo financiando uma linha de caminho de ferro que ligará Vladivostok a Porto Artur, iniciando mesmo negociações secretas com o governo da Coreia em 1902, para que permitisse a instalação de bases russas no território coreano. Em 1903, chegam a Tokyo noticias de que colonos russos se estão a instalar no Norte da Coreia.
Os Japoneses, que consideravam o território coreano como vital, protestam e iniciam-se várias negociações entre os dois países, até que no início de 1904 a Rússia pura e simplesmente recusa a possibilidade de abandonar as suas posições na Coreia achando que já não há nada para negociar.

A Rússia, considerava inútil negociar com um país muito mais pequeno e com uma força militar que era cerca de um terço da sua, mas se o exército imperial russo era enorme, com quase dois milhões de soldados, a verdade é que eles estavam completamente disseminados pela gigantesca vastidão do império, de Vladivostok a Varsóvia.

No Extremo Oriente, o Império Russo conseguia juntar um exército de 135.000 homens e a esquadra russa em Porto Artur tinha sido reforçada à medida que as exigências japonesas iam aumentando. Mas o Japão tinha capacidade para juntar um exército de 850.000 homens, dos quais 150.000 podiam ser mobilizados de imediato.

A Rússia também tinha um problema ao nível do seu poder naval. A sua frota, que tinha mais que o triplo de navios da esquadra japonesa, estava distribuída em três esquadras. Além da esquadra do Pacífico (dividida entre Porto Artur e Vladivostok) havia ainda a esquadra do Mar Báltico (a mais poderosa de todas, mas que se encontrava do outro lado do mundo) e a Esquadra do Mar Negro, a qual estava impossibilitada de passar os estreito de Dardanelos. Assim, o poder russo, embora bastante maior que o japonês encontrava-se dividido e debilitado.

No mapa, a área (A) é a área em disputa entre russos e japoneses. As forças japonesas desembarcaram na Coreia e dirigiram-se para Porto Artur por terra, sem que os russos tenham conseguido impedir a sua progressão.


Não foi portanto sem espanto que os russos souberam que a 6 de Fevereiro de 1904, pouco mais de um dia após a Rússia ter interrompido as negociações, uma força naval japonesa se tinha dirigido a Incheon, desembarcado ali e afundado um cruzador russo.

Bloqueio de Porto Artur

Depois de apoiar o desembarque das suas forças no norte da Coreia, a esquadra japonesa dirigiu-se para Porto Artur, onde tinha como objectivo impedir a saída dos navios russos do porto. A declaração de guerra oficial do Japão à Rússia foi emitida em 8 de Fevereiro mas entregue em Moscovo no dia 10 de Fevereiro de 1904.

Logo na madrugada de 8 para 9 de Fevereiro, um ataque por parte de torpedeiros japoneses danifica os couraçados Tsessarevich e Retvisan, além do cruzador protegido Pallada.
Os couraçados japoneses não se aproximaram de terra, dado a artilharia costeira russa estar alerta e ser demasiado arriscado aproximar os navios da costa.
Ao raiar do dia 9, o comandante japonês, almirante Togo, envia uma força de reconhecimento comandada pelo almirante Dewa para tentar saber o resultado do ataque, mas o almirante interpreta a confusão dentro do porto como resultado do ataque japonês da madrugada anterior e volta para trás para avisar Togo, de que agora é a altura para atacar.

A esquadra japonesa aproxima-se então de Porto Artur, mas é detectada por um cruzador russo. Alertados os russos, o combate tem inicio às 11:00 da manhã do dia 9 de Fevereiro.
Inicialmente os japoneses conseguiram atingir o couraçado Petropavlovsk e o seu irmão gémeo Poltava, mas a resposta acabou por chegar, com o navio almirante Mikasa a ser atingido e até às 12:20 desse dia, os couraçados Shikishima, Fuji e Hatsuse recebem igualmente impactos da artilharia costeira russa e dos navios russos no porto. O almirante Togo entende então o erro do almirante Dewa e manda que a esquadra se retire para longe do alcance dos canhões russos.

No dia 11 de Fevereiro, os japoneses começam a lançar minas para tentar evitar a saída de navios russos do porto, mas uma das minas embate no próprio navio que as estava a lançar e este afunda-se. Perde-se com ele o mapa de localização das minas. Um cruzador russo enviado para investigar, embate numa das minas e afunda-se.

A 24 de Fevereiro, ao inicio da noite, os japoneses tentam encerrar os navios russos na enseada de Porto Artur afundando alguns navios de transporte à entrada, mas o couraçado russo Retvisan ataca os navios japoneses e afunda-os, acreditando que tinha destruído couraçados japoneses.

A 12 de Abril, numa saída por parte da esquadra, o couraçado Petropavlovsk embate numa mina e afunda-se, ficando a esquadra de couraçados russos reduzida a seis.
No afundamento do Petropavlovsk morreu o almirante Makarov, que foi posteriormente substituído.

Em Maio, os russos conseguem atrair alguns navios japoneses para um campo minado e os couraçados Yashima e Hatsuse embatem em minas. O Yashima afunda-se de imediato e o Hatsuse, afunda-se mais tarde quando está a ser rebocado para o porto.

A guerra entre o Japão e a Rússia tinha atingido o impasse, pois os japoneses não tinham conseguido neutralizar a força russa em Porto Artur. Ao mesmo tempo, os russos não estavam preparados para a guerra e não tinham um plano claro de acção contra as acções japonesas, pelo que o resultado da primeira batalha da guerra foi completamente inconclusivo.

Nota sobre a idade dos navios da frota russa e da frota japonesa:
Sobre este conflito, subsiste normalmente a ideia de que a frota japonesa era muito mais moderna que a russa e que a modernidade da frota japonesa levou a que a conclusão final da guerra fosse favorável aos japoneses. No entanto, embora a frota russa contasse com vários navios mais antigos, a maioria dos navios russos era contemporânea dos navios japoneses e no máximo haveria navios com uma diferença de idade de cinco anos. Quanto aos principais couraçados japoneses eles eram na realidade mais antigos que a maioria dos principais couraçados russos.

Principais navios da esquadra russa

Couraçados de segunda classe, com quatro canhões de 256mm
Pobieda e Peresvet: Navios russos com respectivamente dois e três anos de idade.
Couraçados de Primeira Classe, com quatro canhões de 305mm
Petropavlovsk, Poltava e Sevastopol: Construídos na Rússia (todos navios com cinco anos)
Tsessarevich: Construído em França (Navio com um ano de idade)
Retvisan: Construído nos Estados Unidos (Navio com quatro anos de idade)

Principais navios da esquadra japonesa

Couraçados de primeira classe com quatro canhões de 305mm

Shikishima e Hatsuse: Construídos no Reino Unido (navios com quatro e três anos, respectivamente).
Fuji e Yashima: Construídos no Reino Unido (navios com sete e seis anos respectivamente).
Mikasa e Asahi: Construídos no Reino Unido (Navios com dois anos de idade)

Mas se a Rússia tinha alguma vantagem no caso dos couraçados, não podia ultrapassar o problema da dificuldade em reparar os seus navios de forma eficiente, enquanto que o Japão tinha essa capacidade.
A base naval russa de Porto Artur, que começara a ser erguida em 1898, tinha capacidade para reabastecer navios, mas não era uma base de reparação naval. Por isso, os navios russos embora tivessem alguma capacidade para reparação (vários foram reparados), estavam limitados pelos recursos disponíveis em Porto Artur, que foi ficando mais e mais isolada do resto das forças russas.

Esse problema de logística, acabará por ser definitivo e influenciar o resultado da guerra.