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Queda da França
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
10-06-1940

Este acontecimento teve inicio em: 10-06-1940 e terminou em 10-06-1940
Vencedor: Alemanha / III Reich

Forças em presença:

Alemanha / III Reich

Italia

França



Depois da operação de «guerra relâmpago» levada a cabo pelos alemães em 10 de Maio de 1940, em que estes abriram uma brecha nas linhas aliadas e cortaram em dois os exércitos franco-britânicos, estes últimos começaram a retirar as suas forças isoladas no norte de França a partir de 26 de Maio numa operação chamada «Dínamo». Durante essa operação foram removidos centenas de milhares de militares aliados de Dunkerke.

Pode-se considerar que a partir do dia 10 de Junho de 1940, quando a Itália declara guerra à França, exactamente um mês após o ataque alemão, se inicia a fase final da operação alemã a ocidente, que levará à rendição da França e ao armistício.

Sem a bolsa de forças aliadas a norte, que terminou de ser evacuada a 4 de Junho, os alemães têm agora que defrontar apenas o exército francês, que organiza apressadamente uma resistência que mesmo na altura parecia praticamente inútil.

O rápido avanço alemão e a inflexão das suas forças para norte de forma a isolar a área de Dunkerke do resto da França, levaram a que mesmo os alemães se encontrassem perante problemas logísticos graves.

Ainda as forças anglo-francesas combatiam em Dunkerke, e já Hitler numa conferência em Cambrai com os seus generais, ordenava que se preparasse a reorganização das forças alemãs de forma a investirem para Sul.
É aliás por causa desta ordem de Hitler, para que se prepare rapidamente o avanço para Sul, que os sitiados em Dunkerke conseguem evacuar tantas tropas.

Hitler ordena que os dois principais grupos de exércitos alemães, o grupo A e o grupo B, se movam para Sul. O grupo de exércitos B, deverá atacar o baixo Sena, e impedir que quaisquer exércitos franceses possam recuar em direcção ao mar.

O grupo de exércitos A, deverá marchar directamente sobre Paris. Um terceiro grupo de exércitos (grupo de exércitos C) efectuaria operações destinadas a neutralizar a linha Maginot atacando-a pela retaguarda.


Diagrama com a posição dos dois principais grupos de exércitos alemães e dos seis principais exércitos que participaram na operação de avanço sobre o centro e oeste da França.
(a) Esta linha marca a linha defensiva que os franceses consideravam ser possível manter, no inicio de Junho, quando Dunkerke estava a ser evacuada



O comando francês, considera na altura que está sozinho (como de facto estava) e faz contas à vida.
No dia em que acabou a retirada de Dunkerke, a sua linha defensiva está completamente desorganizada e do ponto de vista dos franceses é necessário determinar onde é que as forças devem resistir ao avanço alemão. Os franceses sabem perfeitamente que não podem defender as posições que ocupam, e os alemães sabem disso. Depois da avançada dos blindados alemães contra Dunkerke, os alemães conseguiram organizar uma linha que vai desde a linha Maginot até ao canal da Mancha. Agora, vão reorganizar as suas unidades blindadas e faze-las descer até ao sul.

Para lhes fazer frente, o exército francês conta ainda com 48 divisões[1] e pretende coloca-las numa linha defensiva que inclui os rios Somme e Aisne e daí até à linha Maginot.

Das várias opções estudadas, opta-se pela mais lógica, que pretende colocar forças em pontos chave, utilizar todos os meios disponíveis contra as unidades blindadas alemãs, nomeadamente os canhões franceses de 75mm que se mostraram eficazes contra os levemente blindados tanques germânicos.


Carro de combate alemão, fabricado pela Skoda na Checoslováquia. Os tanques alemães não eram os melhores no campo de batalha. As tácticas alemãs, ganharam a batalha da França.



Mas se por um lado há quem faça planos par a defesa, por outro há muitos generais franceses que pura e simplesmente vêm como completamente inviável a resistência perante forças alemãs que são claramente melhor comandadas e que aproveitam melhor o seu material.

Uma das figuras que emerge da confusão é a do Coronel De Gaulle, que aceitando a necessidade de defender, considera que não se deve dar ordens às tropas para defender todos os redutos, mas que em vez disso se deve organizar uma defesa móvel.
De Gaule propõe a criação de duas grandes unidades blindadas francesas, pois a França ainda conta com 1200 tanques e juntar-lhes unidades de infantaria. Estes dois grandes grupos seriam colocados um a norte de Paris e ouro a oeste. A ideia é utilizar os tanques franceses para atacar os flancos dos ataques alemães.

Mas os generais franceses continuam agarrados a ideias velhas do tempo da I Guerra Mundial, e não entenderam ainda as razões da sua derrota. As ideias de oficiais como De Gaulle não são aceites porque os generais franceses recusam alterar as suas doutrinas que implicam utilizar os tanques como armas de apoio à infantaria.


Peça de artilharia francesa de 75mm: Esta arma desenhada no final do século XIX, modernizada, continuava ao serviço do exército francês e demonstrou ser capaz de vencer os tanques alemães.
Resistência do exército francês.
A resistência dos franceses nesta fase final dos combates vai provocar aos alemães muito mais baixas que a fase inicial. Aliás, os alemães terão mais baixas na França durante as duas semanas de guerra após a evacuação de Dunkerke, que durante os primeiros três meses de guerra contra a União Soviética no ano seguinte.

As unidades que vieram do Norte de África, são exemplo da capacidade de resistência, embora também sejam exemplo da péssima logística francesa, que não tinha capacidade para abastecer tropas em combate. Muitas unidades francesas rendem-se quando pura e simplesmente já não têm munições.

Após três semanas de ataque alemão, mais de um milhão de franceses foram feitos prisioneiros, mas mesmo assim a resistência continua.
Onde é possível organizar as forças, a táctica do «ouriço» funciona. Redutos de franceses organizados em torno de peças de artilharia de 75mm mostram-se especialmente eficazes contra os carros de combate alemães, embora o número de redutos seja diminuto.
Tão diminuto, que quando Rommel percebe a táctica, dá ordem para os tanques não se deterem e rodearem as fortificações francesas.
Com esta táctica, as forças blindadas de Rommel avançam 45km em apenas 24 horas atinge os arredores de Rouen nas margens do rio Sena, a noroeste de Paris. No dia 9 tomam a cidade.

A táctica de ultrapassar os redutos tem uma consequência psicológica nas tropas, que quando cercadas, sem comunicações e defendendo posições fixas, acabam por se render. Os que se movem são atacados pela aviação alemã e as ordens que na maioria dos casos são transmitidas por estafetas chegam normalmente atrasadas.

O problema da esquadra francesa.

O avanço rápido dos alemães pela França, surpreendeu o próprio Hitler. Mesmo Rommel afirmou em particular, em casa de familiares, que não esperava que os seus adversários fossem derrotados tão depressa.
Porém, o rápido avanço alemão apresenta vários problemas e nem tudo corre de feição para os alemães.

Na verdade, considerando a questão da guerra na Europa de um ponto de vista estratégico e abrangente, a França poderia continuar a lutar durante muitas semanas. Se é verdade que os alemães têm toda a vantagem, não deixa de ser verdade que os franceses mesmo quando isolados continuam a ser um inimigo dificil de vencer, fixando no terreno importantes efectivos.

E a somar a tudo isto, há ainda o problema das possessões ultramarinas da França. Os franceses podem transladar o governo para a Argélia, ou para outro qualquer lugar, fora do alcance dos alemães, mantendo o país a lutar do lado dos seus aliados britânicos.
Os recursos das áreas da França não ocupada, ficarão do lado dos aliados.

Com mais peso ainda há um factor determinante de forma determinante na balança, o qual não não abandona a cabeça dos estrategas alemães[2]:
A esquadra francesa.

Perante a queda eminente da França os estrategas consideram a possibilidade da rendição total, mas entendem que no caso de uma rendição e ocupação total da França metropolitana, a esquadra francesa, composta por vários couraçados, cruzadores e contra-torpedeiros, ficará ao lado dos ingleses.

A França tem operacionais dois couraçados modernos, tem outros dois em condições de navegar, embora ainda estejam em construção e mais cinco couraçados mais antigos, juntamente com cruzadores e contra-torpedeiros.
Esses navios ao lado da Inglaterra, tornam o poder da Royal Navy ainda maior e a Alemanha quer evitar a todo o custo que a esquadra francesa passe a ser controlada pelos britânicos.

Em terra, a 9 de Junho o governo francês começa a sair de Paris e estabelece-se em Marselha, a 10 de Junho a Itália declara guerra à França e a 11, Paris é declarada Cidade Aberta.

É neste dia 11 que as relações entre o governantes franceses e britânicos são mais afectadas, quando o general Weygand pede a Churchill, que se deslocou a França para uma reunião de emergência que os britânicos utilizem a capacidade da sua Força Aérea para evitar que os alemães continuem a atacar os exércitos franceses com total domínio aéreo. Nessa reunião, Churchill levanta a questão do destino da esquadra francesa, no caso de a França capitular.

Na tarde do dia 12 por volta das 17:00, Churchill volta a Inglaterra e a essa mesma hora, chega o último comboio à Gare du Nord.


A 14 de Junho as primeiras forças alemãs entram em Paris.

Resultado direto da queda de Paris, no dia 15 de Junho, uma nova crise governativa leva à substituição do chefe do governo. Reynaud que tinha já ameaçado demitir-se, é substituido por Petain, o qual é favorável à negociação com os alemães.

Os britânicos têm conhecimento da situação e tentam manobrar no sentido de garantir que o novo governo seja favorável à continuação da guerra.

Um dos planos que chega a ser redigido é o da União Franco Britânica, que De Gaulle tenta em vão na noite desse mesmo dia apresentar ao presidente francês. Esse plano, previa a fusão da França e da Grã Bretanha num só país, permitindo assim a continuação da França na guerra e abrindo uma justificação para que toda a esquadra francesa pudesse ficar sob controlo dos aliados. A maioria dos ministros franceses recusa essa possibilidade.

Governo francês em

17 Maio 1940

Presidente
1º Ministro
Min.Defesa
Chefe militar
LebrunReynaudReynaudWeygand
Lebrun
Reynaud
Reynaud
Weygand
Reynaud mudou o comando militar mas na semana seguinte a situação só piora. Weygand, que tinha mandado deter uma contra-ofensiva contra os alemães a 17, entende o que se passa demasiado tarde e a contra-ordem a 19 será inutil. Os alemães atingem o Canal da Mancha Sete em 20 de Maio e a partir daí, os ingleses só pensam em retirar. Reynaud começa a ser contestado, embora ainda reuna militares decididos a combater.


Governo francês em

15 Junho 1940

Presidente
1º Ministro
Min.Defesa
Chefe militar
LebrunPetainWeygandWeygand
Lebrun
Petain
Weygand
Weygand
A recusa de Reynaud em negociar com os alemães sem condições, e o facto de entre 12 e 14 de Maio os ingleses não terem garantido suficiente apoio levam ao afastamento deste último, numa altura em que a maioria dos mais influentes políticos franceses opta pelo armistício. Petain forma novo governo e manda contactar os alemães. Weygand assume a pasta da defesa. Mais tarde Petain assumirá como presidente, substituindo Lebrun [3].



As coisas continuam a correr mal para os Franceses e a 17 de Junho, há quatro exércitos franceses cercados pelos alemães. A Linha Maginot, cercada de todos os lados começa a ser atacada. No entanto, embora seja permeável, a linha é constituída por vários fortins, que embora circundados e cercados são demasiado resistentes e estão demasiado enterrados para poderem ser atacados pelos alemães.

O fim

A 17 de Junho, a França envia um pedido à embaixada de Espanha, para que esse país sirva de intermediário no sentido de estabelecer um cessar fogo.

Mas enquanto parte da França se prepara para pedir a Paz, outra parte continua a lutar. Em vários pontos da frente, a estratégia francesa de criar pontos defensivos e de utilizar os canhões de 75mm contra os tanques alemães dá resultado, forçando os germânicos a empenhar maior número de efectivos e mobilizar forças numerosas para ultrapassarem os redutos.
Essa defesa foi especialmente importante na frente Oeste, onde os alemães tentam avançar em direcção a Saint Nazaire. Ali, nos estaleiros do Loire, 3500 franceses trabalham dia e noite, para conseguir fazer sair do porto o novísismo e inacabado couraçado Jean Bart, de forma a que este escape de ser tomado pelos alemães.

A 18 de Junho, ciente da intenção de Petain em assinar um armistício com os alemães, De Gaulle, efectua o seu primeiro discurso radiofónico, clamando pela continuação da luta. Na transmissão radiofónica, De Gaulle acusa o governo francês de se colocar em contacto com o inimigo para assinar uma paz humilhante.
Secretamente, durante o dia 18 Petain deu ordens para que o exército francês deixasse de combater.
Nas ruas de Bordéus, na altura a capital da França, transborda de refugiados.

No entanto, isoladas, várias unidades francesas continuam a resistir. Ainda no dia 20, enquanto os tanques alemães já se encontram nas proximidades de Lyon, a quase 400km para noroeste dali, na região de Tours a resistência francesa é encarniçada e os alemães só conseguem atravessar o rio Loire em 20 de Junho.

Fotografia das negociações na carruagem em que foi assinado o Armistício, na região de Compiegne. Na foto o marechal Keitel entrega ao general Huntziger as condições. Depois de assinado, o general francês queixa-se de que as condições impostas à França são mais duras que as impostas à Alemanha em 1918
Na tarde de 21 de Junho de 1940, a norte de Paris na floresta de Compiegne, a França prepara-se para assinar o Armistício.
Humilhação final, Hitler exigiu que a cerimónia de assinatura decorresse na mesma carruagem em que tinha sido assinada a rendição da Alemanha em 11 de Novembro 1918.

Hitler pára perante a carruagem e perante a laje de pedra onde está gravada uma mensagem:

«Aqui, em 11 de Novembro de 1918 sucumbiu o criminoso orgulho do Império alemão, vencido pelos povos livres que havia tentado reduzir à escravidão»

As negociações duram das 15:00 até às 20:00. Os alemães mantêm-se inflexíveis quanto aos 24 artigos do armistício. À noite as negociações continuam e prosseguem no dia seguinte, mas os franceses nada obtêm. Não há negociações de Paz, negoceia-se apenas o armistício. Depois de as negociações sobre as condições do armistício terem prosseguido durante o dia 22, o documento é finalmente assinado às 18:50 do dia 22 de Junho de 1940. As negociações no entanto vão ainda continuar até pelo menos 24 de Junho, com um armistício separado com a Itália.

A França, abandona a guerra, mas nesse imediato, em vários portos do mundo, no dia em que a França se rendeu, grande numero de navios franceses hasteia a bandeira da Grã Bretanha.

A carruagem onde foi assinado o armistício e a laje sobre a derrota alemã de 1918 no entanto, não escaparão. A laje será completamente destruída e a carruagem enviada para Berlim onde ficará em exposição, sendo destruída por um fogo durante um bombardeamento.
Depois de 1944, todo o local será reerguido, a laje com a mesma mensagem reconstruída, o abrigo onde se encontrava a carruagem foi novamente construído e um carruagem idêntica encontra-se no mesmo lugar.







[1] Sem contar com 10 divisões que defendem a linha Maginot
[2] Dos alemães e naturalmente dos britânicos, como se viu pelas insistências de Churchill
[3] - No sistema constitucional francês vigente em 1940, o presidente era apenas o chefe de estado e não tinha poder executivo. Por isso a participação de Albert Lebrun no processo que levou ao armistício é quase nula. Petain assumirá como presidente, mas como Lebrun teria que apresentar a demissão ao parlamento e o parlamento não existia, na prática Albert Lebrun só deixou de ser presidente da França em 1944 quando delegou poderes no General DeGaulle.