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Guerra da Crimeia
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05-10-1853

Este acontecimento teve inicio em: 05-10-1853 e terminou em 05-10-1853
Vencedor: Império Otomano

Forças em presença:

Império Otomano

França

Reino Unido

Império Russo



Após a crise europeia de 1849, em que praticamente todos os governos europeus caíram perante a generalizada agitação popular, apenas a Rússia e a Grã Bretanha mantiveram os seus governantes. Após aquela crise, a atenção dos principais países europeus voltara-se para os crescentes problemas do Império Otomano, que o Czar russo Nicolau I tinha chamado de «homem doente» em Fevereiro de 1853.
No entanto, as três principais potências europeias (França, Reino Unido e Rússia) tinham ideias muito diferentes sobre o que surgiria do fim do império otomano.

Na terra santa, rebentou um conflito entre cristão ortodoxos e católicos. A igreja da Natividade e o santo sepulcro em Jerusalém, foram palco de autenticas batalhas campais entre católicos e ortodoxos, pelo que aqueles lugares eram patrulhados por militares otomanos.
O conflito aberto entre ortodoxos e católicos sobre quem deveria proteger os lugares santos do cristianismo, levou os católicos da terra santa a pedir o auxilio do mais poderoso país católico (a França), ao que os ortodoxos replicaram pedindo o apoio do mais poderoso país ortodoxo, a Rússia.

França, Rússia e Turquia tentaram controlar a questão e foram feitos muitos contatos entre os três líderes, com a Grã Bretanha e a Áustria como intermediários, mas não se chegou a nenhuma acordo.
Quando o Sultão decidiu atribuir aos franceses o direito de proteger a ordem nos lugares santos, dando preferência aos católicos sobre os ortodoxos, atraiu a fúria do Czar Nicolau I.
Mapa onde se identificam os primeiros movimentos da guerra da Crimeia.

Os russos decidem abrir hostilidades, ao reclamar o direito de proteger todos os cidadãos de fé ortodoxa do império otomano. A pretensão era absurda, já que havia entre 10 a 12 milhões de ortodoxos no império e a sua população total era de cerca de 25 milhões.
A pretensão, que implicava o direito de o Império Russo administrar assuntos do Império Otomano foi imediatamente rejeitada pelo Sultão Abdul Medjid.

Nicolau I, Kzar de todas as russias: A exigência de proteção aos subditos ortodoxos do império otomano despoletou o conflito.
A Rússia não se conteve, cortou relações diplomáticas e aumentou a pressão militar nos meses seguintes.
No dia 3 de Julho de 1853, tropas russas entram na Moldávia e na Valáquia, que eram principados autónomos, mas tributários do Sultão em Constantinopla. No dia 15 de Julho os russos ocupam Bucareste.

Nesta altura, pela primeira vez, a França e depois a Grã Bretanha, ficam preocupadas com o avanço dos russos. O Czar tinha secretamente tentado fazer acordos com os britânicos para a divisão do império otomano e pretendia que os britânicos ficassem com o Egipto, mas a Rússia deveria controlar os Balcãs e acima de tudo a cidade de Constantinopla e o estreito dos Dardanelos, conseguindo assim o tão desejado acesso russo ao mediterrâneo.

É realizada em Viena (Áustria) uma conferência de paz, promovida pela França, Grã Bretanha, Prússia e Áustria. As propostas saídas da conferência são aceites pelos russos, mas rejeitadas pelos otomanos, por causa da interpretação que poderia ser dada aos direitos dados aos russos.

A França e a Inglaterra retiram-se da conferência e começam a assumir posições favoráveis à Turquia, emquanto que a Áustria e a Prússia mantêm a neutralidade.
Inglaterra e França enviam navios de guerra para o mar Egeu. Este envio de meios navais, dá ao sultão otomano a ideia de que tem o apoio de franceses e britânicos.

No entanto, franceses e britânicos tentam garantir a inação do império otomano para evitar o alastrar do conflito. Durante os meses de Agosto e Setembro, o império otomano não se movimenta, enquanto os russos continuam a tomar posições nos territórios da Moldávia e Roménia e se preparam para entrar na Bulgária.

Sultão otomano Abdulmecid I: Aproveitou o apoio da Grã Bretanha e da França e deteve o avanço russo.
O Sultão, conhecedor das debilidades do seu país não reagiu de imediato, já que a Valáquia e a Moldávia eram apenas formalmente parte do império e os russos aparentavam querer estabelecer o seu direito de proteção sobre a população ortodoxa. Porém, à medida que tropas russas se aproximaram da Bulgária (que também era uma região de maioria ortodoxa, mas que ao contrário da Valáquia era parte do império), o Sultão, em parte influenciado pelo apoio que tinha recebido de franceses e britânicos, decidiu agir declarando guerra ao Império Russo no dia 5 de Outubro.

Em 8 de Outubro, os turcos enviam uma mensagem ao comandante russo, Gen, Gorshakov dando-lhe 15 dias para abandonar as áreas que tinham sido ocupadas. Sem resposta, os turcos passam à ofensiva no dia 23 de Outubro. A 4 de Novembro, os turcos derrotam os russos em Oltenita. Os contra-ataques do general Gorshakov resultaram todos em derrotas e as tropas russas tiveram que recuar.

O «homem doente», aparentava ter ainda bastante força, como chegou a ser referido na imprensa ocidental. A Rússia por seu lado, tinha tropas em vários pontos do império a tentar debelar várias revoltas entre as quais a mais importante era a revolta da Chechénia, que continuava a combater os russos, que tinham chegado ao Cáucaso havia apenas alguns anos.

Por isso, nas semanas seguintes, os turcos atravessaram o Danúbio e infligiram várias derrotas aos russos que foram retirando para norte, embora continuassem a manter sob seu controlo grande parte dos territórios que havia ocupado desde Julho.

Em 30 de Novembro no entanto, os turcos sofreram uma devastadora derrota naval, quando a esquadra russa se aproximou do porto de Sinope, na costa turca do mar negro e destruiu 11 dos 12 navios de guerra turcos que ali se encontravam (um vapor conseguiu escapar).

Internacionalização do conflito

A vitória russa foi no entanto contraproducente, pois as notícias da utilização de projeteis explosivos e o número de mortos provocados pelo bombardeamento russo, levaram a França e a Grã Bretanha a enviar navios para o mar negro e a entrar numa espiral de confrontação diplomática que acabou por resultar na declaração de guerra à Rússia por parte destes dois países em 28 de Março de 1854.

Os russos contavam neste confronto com o possível apoio da Áustria, pois os dois países tinham sido aliados apenas quatro anos antes, quando a Rússia tinha enviado tropas para debelar a rebelião hungara, no entanto os seus diplomatas estavam enganados.

O renovado ataque russo contra o império otomano em Abril de 1854, permitiu aos russos retomar parte dos territórios que haviam perdido meses antes e tomar parte da Bulgária até serem detidos pelos turcos.
Como resultado disto, a Áustria junta-se à Grã Bretanha e à França na exigência de retirada das tropas russas da Moldávia e da Valáquia, temendo um rápido desmoronar da defesa turca.

A Áustria envia um exército de 280,000 homens para a Transilvânia na fronteira com a Valáquia e a Rússia é «convencida» a assinar um tratado com a Áustria, em que se compromete a retirar as suas forças. No entanto a Áustria não entrará em guerra com a Rússia.

Com a retirada das tropas russas das regiões que tinham ocupado, ainda se pensou que a paz chegasse, mas a recusa russa em garantir a desativação do porto de Sebastopol, levou à continuação da guerra.

Em Junho de 1854 os britânicos começam a desembarcar em Varna, nas costas da Bulgária, mas como os russos estavam em retirada, não ocorreram combates. Em Setembro, forças franco-britânicas desembarcam finalmente na peninsula da Crimeia, a norte de Sebastopol, com o objetivo de garantir pela força a última das exigências que a Rússia se recusava a cumprir.

A partir daí, com pequenas exceções como incursões navais e ataques pontuais dos turcos no leste das costas do mar negro, a guerra ficaria praticamente circunscrita a operações militares num raio de 35km do porto de Sebastopol. A Rússia por um lado e a Grã Bretanha, França, Turquia e Piemonte por outro vão lutar até 1856. Ocorrerão duas batalhas principais, Inkerman e Balaclava, ambas em 1854 ficarão conhecidas como as mais importantes de todo o conflito, até que finalmente Sebastopol cai, levando a Rússia a perder a guerra.

A Guerra da Crimeia, seria considerada a primeira guerra mostrada nos jornais e onde a imprensa teve atuação direta no desenvolvimento do conflito. As dificuldades dos britânicos quanto ao sistema de cuidados médicos, também levou a uma reestruturação dos serviços britânicos de saúde.

Durante a guerra morreram 18,058 britânicos, mas desses apenas 1,761 morreram como resultado dos combates. Os restantes 16,297 morreram como resultado de doenças. Dos que morreram de doença, 80,7% morreram na primeira metade do conflito, o que se explica com as tentativas para tratar os feridos, após os relatos que chegaram especialmente a Inglaterra.
Na realidade e em termos proporcionais o número de mortos por doença na segunda fase da guerra, foi superior ao número de mortos por doença na Grã Bretanha, isto entre os militares.
Os números no que respeita aos britânicos diferem porém dos franceses, cujo número de mortos por doença aumentou na segunda parte da guerra, quando em comparação com a primeira parte.