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Monte Cassino
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
15-02-1944

Este acontecimento teve inicio em: 15-02-1944 e terminou em 18-05-1944
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:

Reino Unido

Estados Unidos da América

India

França

Polonia

Argelia

Marrocos

Nova Zelandia

Alemanha / III Reich



Na luta pela península itálica entre as forças aliadas e as forças alemãs, naquela que foi designada por linha Gustav, um dos mais importante combates teve lugar na área de Cassino. Em 15 de Fevereiro foi levada a cabo a mais espectacular das operações no sector, com o bombardeamento da abadia de Monte Cassino, com o objectivo de impedir os alemães de utilizarem a posição.

Antecedentes:
Quando os aliados atravessaram da Sicília para o continente europeu, na extremidade sul da Itália, as forças alemãs estabeleceram uma linha de defesas que se baseava na configuração montanhosa da península itálica, a sul de Roma. Toda a península é dividida ao meio por cordilheiras de montanhas, que em muitos casos deixam apenas espaço nas áreas costeiras para mover grandes contingentes de tropas.

A primeira grande linha de defesa alemã, chamada «Linha Gustav» foi organizada a sul de Roma e um dos seus pontos fortes era a possibilidade de controlar áreas elevadas sobre o vale de Liri, as quais se devidamente guarnecidas de artilharia e forças de infantaria para impedir o acesso inimigo, se poderiam tornar quase inexpugnáveis.
Para os aliados, tornava-se imprescindível tomar o vale, o que permitiria o acesso directo a Roma.


Forças em presença

Considerando que a primeira ofensiva contra Cassino ocorreu em 17 de Janeiro, encontravam-se do lado aliado, na costa ocidental, as forças do 5º exército dos Estados Unidos, constituído por forças de vários países.
Junto à costa estavam as três divisões de infantaria britânicas do 10º corpo de exército.
Em frente de Cassino, estava o 2º corpo de exército norte-americano com a 34ª divisão de infantaria a norte e a 36ª divisão de infantaria a sul de Cassino.
Mais a norte, encontravam-se duas divisões do CEF (Corpo Expedicionário Francês) constituído pela 3ª divisão de infantaria argelina no flanco direito dos norte-americanos e pela 5ª divisão de infantaria marroquina mais a norte.

Em Fevereiro, perante a incapacidade norte-americana em avançar e perante as baixas, tinham chegado como reforço a 4ª divisão de infantaria indiana e a 2ª divisão de infantaria neo-zelandesa, que deveriam ocupar as posições das 34ª e 36ª divisões americanas.

Do lado alemão, estavam as forças do 14º corponz Paer (10º exército alem), constituidas pela 5ª divisão de infantaria de montanha a norte, pela 44ª divisão de infantaria directamente no sector de Cassino, pela 15ª divisão de infantaria motorizada a sul de Cassino e finalmente pela 94ª divisão de infantaria, que enfrentava três divisões britânicas.
De reserva, em Janeiro encontravam-se duas divisões de infantaria motorizada, que foram utilizadas como reforço. A 90ª directamente no sector de Cassino e a 29ª mais a sul como reforço da 94ª de infantaria.
Entrou também em acção a primeira divisão de infantaria para-quedista alemã, nos dias seguintes ao ataque aéreo, que foi enviada para reforçar a 44ª e a 90ª ao mesmo tempo que a 5ª divisão de montanha era deslocada mais para norte.
Forças em presença na primeira fase do combate

As batalhas de Monte Cassino
Na realidade a batalha por Cassino e pelo vale de Liri, não começou em 15 de Fevereiro com o bombardeamento da abadia, mas sim em 17 de Janeiro, com um ataque por parte das 34ª e 36ª divisões de infantaria, mas o resultado da refrega foi desastroso para os norte-americanos, que não conseguiram progredir no terreno, sendo as suas posições atacadas pela artilharia alemã.

Mais a norte, as forças argelinas e marroquinas que atacaram as posições defendidas pela 5ª divisão de infantaria de montanha alemã, avançaram durante uma semana, mas a 31 de Janeiro o seu avanço foi detido.

Situação no terreno, após o desembarque em Anzio, que tinha como objectivo isolar as forças alemãs na linha Gustav

A elevação representada pela abadia de Monte Cassino, permite dominar completamente o vale de Liri
Os aliados também se depararam de seguida com um outro problema, pois a 22 de Janeiro, um desembarque aliado em Anzio, com o objectivo de atacar a retaguarda, da linha Gustav encontrou fortíssima resistência por parte dos alemães. Nos primeiros dias as forças aliadas avançaram sem oposição, mas a pronta resposta alemã, com forças do 14º exército enviadas rapidamente contra a testa de ponte acabou por fazer a ofensiva de Anzio marcar passo.
Em 30 de Janeiro, as forças americanas tinham tentado romper o bloqueio alemão com um ataque frontal que foi detido.
Perante a possibilidade de Anzio resultar num fracasso, tornou-se ainda mais urgente o avanço sobre o vale de Liri.

Abadia de Monte Cassino antes do bombardeamento
Dominando o vale de Liri, a cerca de 470 metros de altura, encontra-se a abadia de Monte Cassino.
A posição do monumento, construído no ano de 529 (alguns anos depois da queda do império romano), poderia permitir o controlo do vale se utilizada como posto de observação.

Com a posse daquele ponto, as forças alemãs poderiam utilizar a sua artilharia de montanha para fustigar qualquer avanço dos aliados, e ainda mais quando o avanço destes estava condicionado pelos rios da região.

Perante estes factos, as forças norte-americanas optaram por destruir a abadia de Montecassino com o objectivo de impossibilitar a sua utilização como posto de observação.
O bombardeamento foi levado a cabo no dia 15 de Fevereiro de 1944 por aviões bombardeiros B-17 e B-26.

O ataque aéreo deu-se em várias vagas e a primeira chegou às 09:28 da manhã de 15 de Fevereiro. A segunda vaga iniciou o bombardeamento apenas três minutos mais tarde e a terceira vaga efectuou o bombardeamento às 09:45.

No total estiveram envolvidos no bombardeamento 220 bombardeiros. Além do bombardeamento aéreo, as forças terrestres utilizaram artilharia de longo alcance com peças de 240mm que dispararam sobre a abadia entre as vagas de aeronaves.
Apenas uma parede ficou de pé.

As forças americanas tinham sofrido várias baixas anteriormente, pelo que a destruição do monumento foi apresentada como resultado da sua utilização para desde ali, matar soldados norte-americanos, mas hoje sabemos que não havia de facto alemães na abadia[1], e que os alemães colaboraram mesmo com os religiosos no sentido de evacuar parte do espólio para a retaguarda.

Mas depois do bombardeamento americano, as forças alemãs tomaram fortes posições entre os escombros de Monte Cassino, que então se tornou num local muito mais adequado para uma defesa ao estilo de Estalinegrado, onde os destroços eram uma protecção ideal para posições defensivas.

O ataque aéreo a Monte Cassino começou no dia 17, com o objectivo de controlar a abadia e a área circundante. Por causa dos bombardeamentos esta, podia ser defendida pelos alemães que mesmo com um número reduzido de tropas, possuíam a vantagem de uma posição elevada e dispunham de grande número de abrigos.

O ataque terrestre, a segunda batalha de Cassino dá-se a partir de 17 de Fevereiro, depois do bombardeamento do dia 15, e foi levado a cabo pelas forças da divisão indiana e da divisão neo-zelandesa. Essa divisão encontrou forte resistência alemã, principalmente da 90ª divisão de infantaria motorizada mas também de forças da 1ª divisão de para quedistas que já tinham começado a chegar à região de Cassino.
A unidade alemã de tropas especiais, tomará conta de um sector de 18km e comandará a defesa. As tropas paraquedistas alemãs, aproveitam então a abadia destruída e ocupam-na. Todas as tentativas efectuadas pelas forças da Nova Zelândia e pelas forças indianas são repelidas pelos alemães durante o resto do mês de Fevereiro.

Na primeira metade de Março as forças aliadas reorganizam-se e no dia 15 de Março voltam a lançar um ataque - o terceiro - que é efectuado após um intenso bombardeamento aéreo sobre a cidade de Cassino.
O ataque falha durante os primeiros dois dias mas no dia 17, com o apoio de forças blindadas, as forças aliadas conseguem finalmente chegar aos arredores a sul da cidade. A norte as forças indianas tentam avançar mas são rechaçadas pelos alemães. As perdas aliadas são enormes, pelo que a 25 de Março é dada ordem de retirada.
Situação antes da última tentativa de tomar Cassino e avançar sobre o vale de Liri em direcção a Roma.
Só um mês depois é lançado o último ataque às posições de Cassino. Os britânicos transportam grande parte do seu 8º exército da costa do Adriático para a região de Cassino. Nessa altura a desproporção de forças torna-se muito desfavorável para os alemães. Não só tiveram que remover unidades de Cassino para tentar debelar a bolsa de Anzio como também sofreram perdas com o desgaste da batalha.

Cassino continua defendida pela 1ª divisão de infantaria pára-quedista que chegou após o bombardeamento de 15 de Fevereiro e que se aguentou nas mesmas posições durante dois meses. A norte, encontra-se ainda a 44ª divisão de infantaria, enquanto que a sul a frente é defendida apenas pela 71ª e 94ª divisões de infantaria.

Ao contrário dos alemães, os aliados acumularam além das unidades na bolsa de Anzio, duas divisões americanas e um grupo de exército com quatro divisões de comando francês (uma francesa, uma argelina e duas marroquinas) a sul de Cassino. Na área de Cassino concentraram outras seis divisões (duas polacas uma indiana e três britânicas, entre as quais a 6ª divisão blindada. Mais para norte, outras unidades dispersas, preparam o ataque.

Perante a desproporção de forças e também porque não havia qualquer possibilidade de resistência eficaz, o comando alemão manda retirar as forças da 1ª divisão de pára-quedistas a coberto da noite perante o encarniçado ataque das duas divisões de infantaria polacas

Monte Cassino, cairá finalmente em 18 de Maio de 1944, três meses depois de os aliados terem efectuado o ataque aéreo. Serão unidades polacas a hastear a sua bandeira no topo das ruínas da abadia.

A tomada de Monte Cassino, condicionou a situação na bolsa de Anzio, pois as unidades aliadas a entrar no vale de Liri, rapidamente atacariam as forças alemãs em volta de Anzio se as linhas fossem rompidas.
Na madrugada de 23 de Maio as forças americanas em Anzio efectuam um ataque às linhas alemãs. Ao mesmo tempo, as forças francesas e britânicas rompem as linhas alemãs a sul de Cassino. O movimento a partir de Anzio, pode cercar o resto das forças alemãs na linha Gustav.
Perante esta possibilidade e não tendo mais reforços disponíveis, não resta aos comandos alemães outra possibilidade que iniciar a retirada.

A 25 de Maio, unidades alemãs já lutam para impedir o avanço das forças norte-americanas a partir de Anzio, para garantir que as forças alemãs que retiram da linha Gustav (10º exército) conseguem escapar. Enquanto os alemães retiram da linha de defesa, outras forças ainda defendem o acesso a Roma. Quando está garantida a retirada as forças alemãs retiram de Roma de forma organizada. Os alemães ainda estavam a retirar do norte da cidade quando as primeiras forças americanas entram na capital italiana a 4 de Junho de 1944.


[1] A não presença de soldados alemães na abadia de Monte Cassino foi confirmada pelo próprio Vaticano, que afirmou que não tinha sido permitido o acesso de qualquer força militar alemã ao local.
O bombardeamento da abadia acabou por ser péssimo em termos de relações públicas para os aliados, porque fez chegar à imprensa notícias que até a residência papal de Castel Gandolfo, onde se encontravam 15.000 refugiados tinha sido bombardeada pelos aliados.

O incidente foi também aproveitado pela propaganda alemã.


 
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