1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Da queda de Napoleão até 1914

1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor admin1 » segunda nov 28, 2011 12:25 am

Inicio da Guerra do Paraguai

No dia 13 de Dezembro de 1864, a República do Paraguai, declara oficialmente guerra ao Império do Brasil, na sequência da intervenção brasileira no Uruguai, em apoio de uma das fações que de combatiam naquele país. Esta declaração iniciará a Guerra do Paraguai, que será a maior conflagração militar na história da América do Sul.

As razões que levaram à conflagração, são ainda hoje fonte de discussão. Existem várias teorias, entre as quais a que afirma que Solano Lopez era visto com desconfiança pelos britânicos, que assim levaram Brasil e Argentina a defronta-lo, para acabar com as suas intenções para criar um país realmente independente da influência britânica. No entanto, não deixa de ser verdade que Solano Lopez, era filho do anterior ditador Carlos António Lopez, o qual morreu em 1862. Solano começou a enfrentar oposição interna, tendo desde logo necessidade de perseguir opositores políticos. A guerra aparenta ser também resultado da necessidade de desviar as atenções e garantir a subsistência da dinastia Lopez, no comando do país.

http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=144


BATALHA DO RIACHUELO

Batalha naval ocorrida no rio Riachuelo, um dos afluentes do rio Paraná no. A batalha é um dos episódios da chamada Guerra do Paraguai, o mais mortífero e violento conflito entre países do continente sul-americano.

Um conflito político, degenerou em guerra aberta, quando o Paraguai em Novembro de 1864 atacou o navio brasileiro Marquês de Olinda, cortou relações diplomáticas com o Brasil e invadiu território brasileiro no mês seguinte.

http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=41
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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor pt-papatango » quarta nov 28, 2012 2:56 pm

Um dos temas mais interessantes do século XIX na América do Sul.

As teses que se debatem, sobre o que terá levado à Guerra do Paraguai e especialmente ao seu fim sangrento estão todas por provar para além da dúvida razoável.

A tese de que os ingleses estão por detrás da guerra no entanto, aparenta ser demasiado fraca.
A Grã Bretanha não tinha nenhum interesse no Paraguai. O que realmente interessava aos ingleses era manter os dois maiores países da Maérica do Sul adormecidos, porque a Grã Bretanha pretendia garantir que não apareceria outra potência americana.

Onde o Brasil poderia criar mais problemas à Grã Bretanha era (na altura) na industria naval, pois por causa de o Brasil dispor de grandes quantidades de madeira, podia produzir navios em quantidades consideráveis e competir com os navios britânicos nas rotas do comércio.

Se há coisa que a guerra do Paraguai fez, foi aumentar o poder naval do Brasil.

Em tese, a Grã Bretanha teria apoiado o Chile na sua corrida aos armamentos com a Argentina, beneficiando dessa corrida aos armamentos com a compra desenfreada de navios de guerra por parte desses países.

Faz mais sentido considerar que a Guerra do Paraguai foi na realidade um ajuste de contas entre as várias forças que se combatiam na região.
Os paraguaios, os argentinos federalistas, os argentinos centralistas, os dois grupos uruguaios (conservadores e liberais, estes últimos apoiados pelo Brasil).

Todo o conflito parece ser uma continuação do problema da delimitação das fronteiras entre Portugal e a Espanha, sendo que os portugueses consideravam que o Rio da Prata era a fronteira natural do império, e que portanto o Uruguai deveria ser mais uma província brasileira.
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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor khaled » domingo dez 16, 2012 3:02 pm

A questão da marinha PT, além da questão tecnológica, há uma problema de como era formado. De um lado marujos caçados no laço, do outro oficiais que vinham da elite monarquista. Mais tarde, no Brasil republicano foram vistos com sérias desconfianças para dizer o mínimo.

Portanto a falta de verbas será a tônica do Brasil republicano para a Marinha e a retirada do exército da fronteira para defender a capital contra os inimigos internos, outro movimento que ocorre sempre em nome da centralização foi o controle das Polícias Estaduais pelo exército até chegar no atual modelo de Polícia Militar.

Eu comungo que a Guerra do Paraguai foi mais que um conflito de interesses internos do continente, o que prevaleceu foi a política externa agressiva de Brasil e Paraguai que viam a segurança de seus países de forma diferente, o Brasil de manter-se o "status quo", o Paraguai de ter a hegemonia da América Hispânica. E inevitavelmente quanto estourou o conflito todas forças políticas da região conflagrada se moveram.

Abraços,

PS:
O livro do José Murilo - FORÇAS ARMADAS E POLITICA NO BRASIL - provavelmente vc vai encontrar em alguma biblioteca aí em Portugal, talvez tenha alguma coisa sobre o Brasil para entender a doutrina que temos. No link abaixo tem alguns dados:
http://books.google.com.br/books?id=d9w ... ros&f=true

A revista do Instituto Geográfico e Histórico do Brasil, eu me lembro de alguma coisa sobre guerra do Paraguai com dados, são bons dados :D , ou seja, não inventam como o Eduardo Galeano que é jornalista :toma:, mas deve começar a falar algo realmente depois de 1910...tem os indices por revista, é penoso ver indice por indice via internet, mas pode ser que encontre algo, como na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro .155(383):423-427,abr/jun 1994 é sobre a esquecida Escola de Guerra de Porto Alegre.
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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor Paisano » quarta ago 14, 2013 1:32 am

"Combate do Riachuelo":

Fonte: http://www.almanaque.cnt.br/riachuelo.htm

Em fins de abril, de 1865, duas divisões da esquadra brasileira subiram o rio Paraná, indo fundear em Bela Vista. Os paraguaios, tendo invadido o território correntino (Corrientes) com poderosa força, ao mando do general Robles, agora reforçados por mais 3.000 homens, apoderam-se da cidade, depois de haverem tomado de assalto dois vapores argentinos, e juntam-se ás tropas ali existentes, convertendo a indefesa cidade em poderosa praça de guerra, com um efetivo de 27.000 homens e 60 bocas de fogo.

Simultaneamente, outro exercito paraguaio ameaça invadir as fronteiras brasileiras pela lado de Itapua, ao mando do tenente coronel Estigarribia.

Sem que encontrassem embaraços á sua passagem, os paraguaios, com forças sempre numericamente superiores, dividem-se e subdividem-se, descendo a melhor parte até Riachuelo, em cujas barrancas se fortificam.; não obstante porém esse aparato todo, inesperadamente contra-marcham, obrigando Paunero, que ia ao seu encontro, a reembarcar suas tropas, vindo abarracar-se em Rincon del Soto.

Aquele simulacro de retirada não passara despercebido ao valente cabo de guerra argentino, que, sem ter receio do imprevisto, de plano com com o chefe Barroso, que o auxilia na temerária expedição, embarca novamente suas forças e, surgindo na capital correntina a 25 de Maio (quinta feira), ataca-a e retoma-a, estando a cidade defendida por 2.000 homens, ao mando de Martinez.

Os aliados tiveram fora de combate, entre mortos e feridos, 200 argentinos e 21 brasileiros; o inimigo 452 mortos fora 66 feridos e 86 prisioneiros; e , além de armamento e munições em considerável quantidade, tomamos-lhe mais três bocas de fogo, duas caixas de guerra e uma bandeira.

Obtida esta vitória, Paunero, certo de que Robles, vendo assim surpreendida sua linha de retirada, o atacaria com 25.000 homens sob seu comando, embarca as forças argentinas e brasileiras e desce, indo acampar no Rincon.

E com aquele predisposto, Lopez embarca precipitadamente no Taquari, a 8 de junho de 1865, uma quinta feira, com direção a Humaitá, e assiste em pessoa aos preparativos para a planejada expedição, marcando o dia 11, domingo, irrevogavelmente para o ataque e abordagem á esquadra, que ele supunha desprevenida e desguarnecida.

Aparentemente calmo, Lopez traia-se a cada instante, desenvolvendo frenética atividade para esconder os revezes que acabava de sofrer, e agora, sugestionado pelo feroz Diaz, resolve o ousado plano de um formidável combate naval, de que lhe adviriam vantagens imaginarias sobre os exércitos aliados.

Para atenuar, perante os seus soldados, o desastre de Corrientes, responsabiliza pela derrota o chefe Martinez, que faz passar pelas armas, não obstante ter-se valentemente batido.

Apenas chegado ao forte de Humaitá, Solano Lopez, em veemente alocução, concita os oficiais e soldados do Sexto Batalhão de Infantaria Naval, o mais valente dos seus batalhões, a se baterem sem tréguas; e á distribuição de sabres e machadinhas recomendou-lhes que lhe levassem prisioneiros vivos, ao que eles responderam que pouco lhes preocupavam prisioneiros, prometendo afirmativamente, que voltariam vitoriosos, rebocando os nossos vasos de guerra.

A despeito de tão eloqüente entusiasmo, Solano Lopez, como se não confiasse bastante no plano traçado pelo general Diaz, reforçou-o, mandando o coronel de artilharia Bruguez assestar uma bateria de 32 canhões, na margem direita da embocadura do Riachuelo; este, por iniciativa própria, estendeu no local denominado Barrancas, protegido por um montículo, poderoso contingente de infantaria, destinado não só a socorrer a abordagem sob o comando do coronel Aquino, mas ainda a auxiliar a artilharia com a sua fuzilaria.

Três mil homens ali estavam na tocaia. A margem direita da embocadura, de ponto em ponto, outros contingentes se abarracaram para fim idêntico.

A nossa força naval atingia, no local, a 2.287 combatentes, inclusive oficiais de mar e terra, sendo 1.113 de marinha e 1.174 do exercito, que se achavam a bordo para qualquer operação de desembarque, e 50 bocas de fogo; cumprindo assinalar que oficiais e praças de terra, segundo as comunicações do vários comandantes, muito concorreram para o resultados obtidos.

Formando ligeira curva, alerta se achavam os navios paraguaios: Tacuary, Igurey, Marquez de Olinda, Salto, Paraguary, Iporá, Jujuy e Iberá, na ordem em que os mencionamos.

Essa esquadra partira de Humaitá á meia-noite, dando-se logo ao sair um desarranjo na maquina do Iberá, que alterou um tanto o plano de ataque.

Abaixo de Corrientes, cerca de duas léguas, ostentava-se a nossa esquadra, composta dos vapores de guerra: Belmonte, Mearim, Beberibe, Ipiranga, Amazonas, Jequitinhonha, Parnaíba, Iguatemi e Araguari, ancorados á margem direita do Paraná, entre as pontas do mesmo nome e de Santa Catarina.

Importando executar á risca as ordens do ditador, a abordagem foi tentada logo ao dobrar a ilha Palomera. Aproaram os navios contra a corrente do Paraná, como para executá-la; o renhido canhoneio dos rodízios de popa dos vapores brasileiros, porém, fê-los recuar. Depois deste rechaço, a esquadra paraguaia, avançando, colocou-se em frente ás bocas do Riachuelo.

As 9 horas, distinguem-se nuvens de fumo anunciando a aproximação de navios inimigos. Do tope de vante de um dos nossos vasos de guerra ouvem-se vozes de Navio á proa! Em seguida de Esquadra inimiga á vista.

Imediatamente a Mearim, a cujo bordo se achava Barroso, iça o respectivo sinal.

Rufam tambores e trilam os apitos no convés de todos os vapores de nossa divisão. Barroso desfralda sinais, que ordenam: Preparar para combate! E manda despertar os fogos abafados; Largam-se as amarras sobre as bóias; acham-se em bateria as peças e rodízios; os encarregados da munição descem pressurosos aos paióis e voltam trazendo balas e metralhas, que empilham aos lados das baterias. Atiradores guarnecem as gáveas.

A esquadra inimiga apontou, indo na frente Paraguary, seguido de Igurey e depois Iporá, Salto, Pirabebé, Jujuy, Márquez de Olinda e Tacuary.

Neste embarcara, em Humaitá, o velho marinheiro Messa, com a senha de abordar violentamente e, segundo as circunstancias, um ou mais navios, sem medir sacrifícios.

A nossa esquadra põe-se em movimento, iniciando a marcha a canhoneira Belmonte, cuja guarnição se mostra ansiosa. Seguem após Amazonas, para cujo bordo de transferira Barroso, e, na mesma linha, avançam, Beberibe, Mearim, Araguari e os demais.

Já no tope do navio capitania vê-se o sinal de O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever e, em seguida, este outro Bater o inimigo que estiver mais próximo.

A nossa esquadra ia, de fato, ao encontro do inimigo. Jequitinhonha, ao passar em frente á embocadura do Riachuelo, encalha, dando se então fortíssimo tiroteio entre as forças do navio e as de Bruguez, ao alto do barranco.

Três navios paraguaios tentam abordá-la; a canhoneira, porém, cuja tripulação a custo consegue safá-la, prossegue, obrigada a uma luta desigual, em que a nossa maruja se vê constantemente a beira das baterias inimigas. Quadro indescritível oferece, então, esse vaso de guerra, com a sua proa, as amurada, as vergas e os mastros, os escaleres, tudo, enfim, reduzido a estilhaços, que concorrem para por fora de combate os nossos soldados e oficiais mais ousados.

Morre Lima Barroso e, junto dele, tem a mesma sorte o prático André Motta; 17 inferiores tombam quase de assentada. Recebem ferimentos o chefe Gomensoro, Freitas, Lacerda e Castro Silva, firmes nos seus postos.

Desce agora o Parnaíba: outra abordagem pelos navios Salto, Paraguary e Tacuary. Tão certeiros são os disparos da Jequitinhonha sobre Paraguary, que este retrocede logo.

Os outros navios atacantes encostaram-se, porém, a bombordo e a estibordo da Jequitinhonha; Garcindo, no passadiço, concita a tripulação á resistência; Firmino Chaves, em brados de entusiasmo, Pedro Afonso Ferreira e Maia, á frente dos seus navais, relutam com denodo.

O Marques de Olinda, vem em socorro dos seus e despeja no convés da Parnaíba centenas de bravios guaranis, armados de sabres, machadinhas e revolveres. Eram os famigerados do Sexto de Infantaria, que já se haviam triste e indignamente celebrado nas carniçarias de Mato Grosso.

Dá-se, então, combate, peito a peito, pulso a pulso, que remata em horrível carnificina. Greenhalgh consegue derrubar, a tiro, um oficial paraguaio, que o intima a arriar o pavilhão; mas, logo após, cai morto ás arguçantes cutiladas de sabre a duas mãos; Pedro Affonso e Maia, defendendo-se, caem mutilados; Marcilio Dias, batendo-se contra quatro, mata dois de seus adversários, morrendo em seguida aos golpes de afiadas machadinhas dos outros dois. Após uma hora de nutrida e porfiante contenda, o inimigo consegue apossar-se do convés desde a popa ao mastro grande. Os oficiais, escudados pelas peças, fuzilam-no, ás incessantes investidas. Mearim e Belmonte, respectivamente sob os comandos de Eliziario Barbosa e Abreu, acodem oportunos.

Os abordantes abandonam os companheiros, que haviam galgado o convés da Parnaíba, e fogem aos primeiros tiros daqueles navios. A bordo da Parnaíba chegara-se a vacilar um instante, quase se perdendo a esperança de repelir o inimigo, que se multiplicava com os ininterruptos esforços; Garcindo, seu brioso comandante, á iminente ameaça daqueles reforços, chega mesmo a combinar com o imediato Felippe Rodrigues Chaves que, em ultimo caso e como medida extrema, lançariam fogo ao paiol, fazendo voar o navio em estilhaços, e, como visse repletas chalanas inimigas se aproximarem, transmitiu aquelas ordens ao oficial, escrivão Correa da Silva, que acendendo o charuto, se dispôs a obedecer no instante; a guarnição, entretanto, reanima-se e, investindo contra os paraguaios, que em vertiginoso delírio se batiam á louca, aos gritos de - mata! degola!, tapetam o convés com seus cadaveres, que rolam por dezenas.

O Amazonas, que até então sustentara vivíssimo fogo contra as baterias de Bruguez, percebe, através da espessa fumaça, o que se passa a bordo da Parnaíba, e vem-lhe em socorro, no momento mesmo em que o Márquez de Olinda chegava para reforçar a abordagem: contra este investe o Amazonas, que o afunda a proadas.

O Tacuary tenta escapar-se a idêntica manobra do Amazonas; este, porém, persegue-o, e mete-o a pique, igualmente ás bicadas de proa. Ipiranga, sob o comando de Alvaro de Carvalho e que, bem como aquele, respondia ao tiroteio da baterias de Bruguez, vem, por sua vez, em defesa do Parnaíba, e com certeiros disparos arromba logo o costado e as caldeira do Salto, cuja tripulação, em alarido, atira-se na água, á fuzilada dos nossos.

Segue-se agora o Ipiranga no encalço do Paraguary, crivando-o de metralha.

A Beberibe, cujo comandante Bonifacio de Sant'Anna se mostrara de inaudita bravura, persegue os navios inimigos. O comandante da Iguatemi, ferido, é levado em braços para o camarote; o imediato Oliveira Pimentel, substituindo-o, é decapitado por uma bala; assume o comando o jovem Gomes dos Santos, que auxilia o tiroteio.

O Ipiranga, ao mando de Alvaro de Carvalho, faz submergir uma chata que, a distancia, dirige certeiros tiros aos costados dos navios: a tripulação, estilhaçada, trombulha, descendo na correnteza; no Araguary, Hoonholts bate-se com denodo; contra o navio de se comando voltam-se os que atacavam a Parnaíba, auxiliados agora pelo Tacuary, que recuara aos disparos dos rodízios do Ipiranga.

Os flancos dos navios brasileiros, despedaçados pelos canhonaços das chatas a lume d'agua, tornam iminente a submersão total da esquadra. Bombas metralhas esfuziam do alto dos barrancos: não é possível descrever o que se passa a bordo dos navios ao alcance das balas, que sibilam em chuveiros.

Entretanto, alguma coisa de providencial se passava, que cumpre não esquecer: quando o oficial-escrivão da Parnaíba, depois de haver tragado, para atiçá-lo, algumas fumaças do fatídico morrão que deveria comunicar o fogo ao paiol, pensa cumprir a sinistra ordem ouvem-se alvissareiros vivas que, irrompendo dos navios brasileiros em delírio, o detém estupefato. E de pé, sobre a caixa das rodas, destaca-se afina, por entre densas nuvens de fumo, o vulto imponente de Barroso, que é o primeiro a bradar - Vitória!

E este triunfo naval, que tão diretamente influíra nos destinos de toda a campanha, mudou também, e inteiramente, a sorte dos adversários.

Robles não mais prosseguiu na invasão de Entre Rios; Estigarribia, isolado nas margens do Uruguai, depões as armas; Lopez, recolhendo-se a temporária defensiva, volta-se contra os seus: Robles ao regressar é fuzilado por covarde. As nossas perdas foram de 216 combatentes entre mortos e feridos, assim descriminados por navios:

Amazonas -> 13 Mortos e 13 Feridos

Belmonte -> 9 Mortos e 23 Feridos

Iguatemi -> 1 Morto e 6 Feridos

Jequitinhonha -> 8 Mortos e 33 Feridos

Parnaíba -> 33 Mortos e 29 Feridos

Beberibe -> 5 Mortos e 19 Feridos

Araguari -> 2 Mortos e 5 Feridos

Ipiranga -> 1 Morto e 6 Feridos

Mearim -> 2 Mortos e 8 Feridos

Total de Mortos -> 74

Total de Feridos -> 142


O inimigo teve fora de combate, a bordo, entre mortos, feridos, afogados, comprimidos pelos costados dos navios e prisioneiros, 1.500 praças, aproximadamente; em terra, Bruguez perdeu 1.750, o tudo perfaz 3.250; mais elevada foi, entretanto, a estimativa de inteligentes oficiais prisioneiros. E a esquadra avança, avança sempre, em demanda de novas e estrondosas vitórias.
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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor Dozer » sábado ago 24, 2013 11:24 am

khaled Escreveu:A questão da marinha PT, além da questão tecnológica, há uma problema de como era formado. De um lado marujos caçados no laço, do outro oficiais que vinham da elite monarquista. Mais tarde, no Brasil republicano foram vistos com sérias desconfianças para dizer o mínimo.
Esse sistema era comum na maior parte das marinhas. A mais famosa por capturar e literalmente raptar crianças para as colocar nos navios era a Royal Navy.

Eles chegavam a roubar crianças com 7 a 10 anos que serviam no navio durante décadas e há casos em que nem sequer tinham autorização para sair do navio quando ele estava no porto.
O caso brasileiro não deve por isso ser assim tão diferente dos outros. Mesmo na Royal Navy ocorreram problemas e motins por causa das condições a bordo dos navios.

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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor Dozer » sexta dez 13, 2013 10:48 am

Mais um aniversário do inicio da guerra do Paraguai. Será que este ditador megalomano paraguaio é uma edição anterior de caudilhos como o Chavez.
O que é que passou pela cabeça dos paraguaios entrar em guerra contra três países ?

Contavam os paraguaios com a união dos países de lingua espanhola contra o império do Brasil ?
Ou será que contavam com a união das repúblicas contra a unica monarquia sul americana ?

Se o Lopez declara guerra ao Brasil, o que é que ele pretende ?
Ocupar uma parte do Brasil sem consequências de nenhum tipo ?

Esta guerra é provavelmente das mais difíceis de compreender no contexto sul americano. E também começou no exato ano em que acabou a guerra civil americana.

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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor mafets » sexta dez 05, 2014 3:18 pm

http://www.forte.jor.br/2014/12/01/150-anos-depois-guerra-ainda-e-ferida-aberta-no-paraguai/
Para os paraguaios, não existe herói maior do que Francisco Solano López, o ditador que há exatos 150 anos invadiu o Brasil e deflagrou a Guerra do Paraguai (1864–1870).

As deferências se espalham pelo país. Solano López dá nome a cidade, rodovia, ruas, praças, hospitais, colégios. A principal via de Assunção é a Avenida Mariscal López (mariscal é o termo em espanhol para marechal). As homenagens vão de academia de tae-kwon-do a parque de diversões, de shopping center a time de futebol.

O rosto do ditador aparece na moeda de mil guaranis. Faz sucesso entre os adolescentes uma camiseta que, numa licença histórica, retrata o mariscal e Che Guevara lado a lado.

— Solano López se transformou numa religião cívica — resume Herib Caballero Campos, historiador da Universidade Nacional de Assunção e autor do livro El País Ocupado (sem edição em português).

É um culto contraditório. A herança de Solano López foram a derrota e a humilhação. O país ficou em ruínas, e pedaços do território foram perdidos para os países vencedores. Estima-se que 75% da população paraguaia tenha morrido nos cinco anos do conflito, seja no front, seja por fome e doenças. A Guerra do Paraguai é o mais sangrento conflito já visto na América Latina.

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Re: 1865 - Guerra do Paraguai / Riachuelo

Mensagempor Dozer » quarta dez 10, 2014 11:51 am

A guerra do Paraguai foi mais uma daquelas guerras em que um país com soldados de pé descalço recebe armamento moderno.
Os generais pensam que o armamento vai fazer a diferença, mas a longo prazo o que conta é a capacidade do país para gerir os meios que tem.

As pessoas tendem a gostar de caudilhos mortos no campo de batalha.

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