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Projecto NPO-2000: Antecedentes e razões para o projecto

Com o fim da guerra fria, que ocorreu depois da “debacle” da antiga União Soviética, a marinha portuguesa analisou, à luz dessa nova realidade, as suas necessidades futuras de rearmamento.

No caso de a guerra fria ter continuado, a Marinha de Portugal teria pensado noutro tipo de navios, eventualmente mais pesados e melhor armados, ou seja, substitutos das corvetas da classe Baptista de Andrade, eventualmente com capacidade anti-submarina e mesmo anti-aérea.

No entanto, com a nova realidade saída do fim da Guerra Fria, a opção da marinha portuguesa parece ter sido no sentido de não proceder à substituição das corvetas da marinha, por outras corvetas eventualmente mais modernas, optando-se por navios que embora com capacidade oceânica, estivessem desprovidos de armamentos mais sofisticados, reduzindo assim os seus custos.

Fruto dessa realidade, parece surgir assim, o projecto do NPO - Navio de Patrulha Oceânico - que se esperava que entrasse ao serviço por volta do ano 2000, e por isso foi apelidado de NPO-2000.

Portanto, o desenvolvimento do projecto NPO-2000, já considerava que as grandes corvetas das classes Baptista de Andrade e João Coutinho, deveriam ser substituídas por navios de patrulha, para responder às necessidades de patrulha e fiscalização da maior Zona Económica Exclusiva de qualquer dos países da União Europeia e provavelmente aquela que é estrategicamente mais importante.

Toda a Zona Económica Exclusiva de Portugal, está no Atlântico norte e tem o seu ponto mais a Norte em Caminha, o seu ponto mais oriental em Vila Real de Santo António, o seu ponto mais a Sul nas ilhas Selvagens e o seu ponto mais ocidental nas ilhas das Flores e Corvo. O Atlântico Norte, é por natureza um mar dificil especialmente no Inverno, com ondas alterosas e condições atmosféricas extremamente duras.

A Marinha Portuguesa, que passou a utilizar as corvetas da classe João Coutinho / Baptista de Andrade como navios de patrulha, sabe que estes navios, pensados para a função de patrulhas coloniais com o objectivo de patrulhar as águas das ex-colónias, embora resistentes, não eram adequados para enfrentar continuamente as péssimas condições do Atlântico, especialmente durante o Inverno.

Logo, quando o projecto NPO foi idealizado, considerou-se que os NPO's seriam maiores que as corvetas então utilizadas, teriam uma proa mais eficiente e mais alta e teriam uma largura (boca) superior, com o objectivo de os transformar em navios tão estáveis quanto possível, dentro de uma realidade que pedia um navio, com a melhor relação tamanho/custo que fosse possível.

O NPO-2000 deveria estar preparado para se necessário passar períodos longos no mar, para ter uma tripulação reduzida e garantir a essa tripulação boas condições de habitabilidade, garantindo além disso capacidade para transportar pessoas, dado tratar-se de um navio que tería como função também o apoio no mar a navios em perigo.

O desenho decorrente desta especificação, e mostrado pelos Estaleiros de Viana do Castelo foi o seguinte:

Atrasos

Entretanto, alterações políticas, e alguma instabilidade ao nível do Ministério da Defesa, e os já tradicionais cortes orçamentais, levaram a um atraso no projecto.

Isto ocorre, numa altura em que as corvetas ainda conseguiam desempenhar as missões de patrulha que lhes foram atribuídas. Esta realidade tornou mais facil protelar o arranque do projecto, pesando embora o facto de que as corvetas da marinha, são de facto nos dias de hoje navios relativamente mais caros de suportar, por entre outras razões terem uma tripulação bastante maior que aquela que deverá ter um NPO.

Para os governos, este argumento de redução dos efectivos começa a ser bastante apelativo. Mais ainda conforme se aproxima o período em que as corvetas mais antigas devem começar a ser desactivadas, por terem ultrapassado o seu periodo de vida útil.

Novo fôlego
A partir de 2002, são novamente as alterações ao nível do Ministério da Defesa Nacional, e as suas prioridades, que voltam a colocar o projecto NPO-2000 na ordem do dia.

Foi decidido dar luz verde ao processo e foram estabelecidos acordos com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo no sentido de construir naquela unidade do norte do país as 12 unidades que se considerava serem necessárias para substituir não só as corvetas cada vez mais envelhecidas, mas também os pequenos navios de patrulha da classe Cacine, parte deles já desactivados, mas dos quais, alguns ainda se encontram ao serviço.

O problema ocorrido com o navio Prestige, que se afundou em águas da Galiza, quase tendo entrado em águas portuguesas, e a necessidade de Portugal se dotar com navios capazes de combater a poluição marítima, resultou na contratação com os ENVC de duas unidades do NPO, transformadas em Navio de Combate à Poluição, com a mesma base e algumas alterações com vista a permitir aquele tipo de actividade.

O numero de navios de patrulha passou assim de doze para dez, aos quais se somariam dois navios especializados no combate à poluição, mantendo-se o total de doze navios.

Mais tarde, foi também decidido reduzir o numero total de navios para dez.
Agora, passariam a ser oito patrulhas oceânicos, a que se juntariam mais dois navios de combate à poluição.

A redução do numero de patrulhas, foi no entanto compensada com o anuncio da construção de cinco patrulhas mais pequenos, que teriam funções de patrulha costeira.

Os acordos foram assinados com os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a construção das primeiras duas unidades desta nova classe, foi iniciada.

Em 1 de Outubro de 2005, os primeiros dois navios foram postos a flutuar.



Título: Patrulhas Viana do Castelo (NPO-2000) (última actualização: 01.10.2006)
Autor: P.Mendonça/P.Brás / img: ENVC
Referências: Ref.Autores/Esp.Marinha/fotos materia


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