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Cronologia dos acontecimentos e comentários

15 de Maio de 1940
A Holanda rende-se aos alemães

15 de Maio de 1940
Em Londres correm rumores de que pode haver um Golpe de Estado em Portugal, para derrubar Salazar e colocar no poder um governo favorável à Alemanha e à Italia. Começam a preparar-se na Grã Bretanha planos para a tomada das ilhas dos Açores, e de Cabo Verde.

28 de Maio de 1940
A Bélgica rende-se aos alemães

3 de Junho de 1940
Franco informa Hitler de que pode contar com a Espanha como aliado, conforme ache mais conveniente.

4 de Junho de 1940
O s ingleses retiram os últimos homens de Dunquerque.

12 de Junho de 1940
A Espanha muda o seu estatuto no conflito de país neutral, para país não beligerante, o que lhe permite passar a colaborar com a Alemanha e com a Itália em acções contra os aliados.

22 de Junho de 1940
A França assina a rendição e aceita a partição do país. A capital da França não ocupada será a cidade de Vichy.

14 de Julho de 1940
Os chefes militares apresentam a Churchill os primeiros planos para a invasão das ilhas portuguesas, fazendo-se recomendações para que se tente evitar que Portugal entre na guerra. São preparadas duas brigadas para a peração. Em alerta são colocados três batalhões, com capacidade para zarpar para os Açores 48 horas depois de receberem ordens para tomar as ilhas.

17 de Julho de 1940
Franco faz um discurso violentíssimo contra a Grã Bretanha, exigindo a devolução de Gibraltar e a expansão das possessões africanas de Espanha.

29 de Julho de 1940
Franco assina com Portugal uma clausula adicional ao chamado Pacto Ibérico (assinado em Março de 1939) prevendo consultas mútuas em caso de qualquer dos países ser atacado. O pacto, era um mero pro-forma. A simples afirmação de que a Espanha estava ao lado da Alemanha, implicava a violação desse mesmo pacto se a Alemanha solicitasse que a Espanha tomasse acções contra Portugal.
A nova cláusula assinada em 1940 é segundo vários historiadores uma tentativa de dar a Franco por parte de Churchill algumas garantias de que a Espanha não será afectada com qualquer intervenção britânica na Península Ibérica, quer utilize ou não Portugal como base, como historicamente tinha acontecido. Essa possibilidade é estudada pelos militares espanhóis ao longo dos anos 30, e a invasão de Portugal é considerada como absolutamente imprescindível, se a Espanha quer ter capacidade para se defender de uma potência como a Inglaterra.[1]

13 de Agosto de 1940
Começam os bombardeamentos maciços sobre a Inglaterra

24 de Agosto de 1940
A Royal Air Force bombardeia pela primeira vez Berlim

3 de Setembro de 1940
Os ingleses declaram Alerta Amarelo, considerando eminente uma invasão alemã por Mar. Nessa noite, os bombardeiros britânicos flagelam Berlim durante duas horas.

7 de Setembro de 1940
Começam os bombardeamentos nocturnos sobre Londres

11 de Setembro de 1940
Os italianos comaçam a sua ofensiva contra os britânicos no Egipto.

17 de Outubro de 1940
Serrano Sunher, o líder dos nazistas espanhóis, é empossado como ministro dos estrangeiros de Franco. Esta nomeação, vista como o triunfo das posições de Serrano Sunher, leva a que em Londres e em Lisboa a possibilidade de uma invasão de Portugal se torna cada vez mais provável.

23 de Outubro, Hitler e Franco encontram-se na famosa conferência de Hendaia. Em Londres e Lisboa a situação é de expectativa

Franco e Hitler

Franco e Hitler na conferência em Hendaia: Hesitações e ansiedade em Londres e Lisboa

28 de Outubro de 1940
A Itália de Mussolini invade a Grécia

Nesse mesmo dia, chegam a Besançon, no sul de França, as primeiras unidades do 98º Regimento de montanha da 1ª Divisão de montanha, que deverá liderar o ataque a Gibraltar.

2 de Novembro de 1940
As tropas alemães estacionadas no sul de França, começam a treinar a tomada de Gibraltar.

4 de Novembro de 1940
Hitler pede a um grupo de militares alemães que começe a planear as operações contra Portugal, especialmente a tomada das ilhas de Cabo Verde. Pede que se preparem planos para defender as Canárias e para organizar o fecho do Estreiro de Gibraltar.

8 de Novembro de 1940
Os italianos retiram da Grécia, na expectativa de um contra-ataque do exército grego

8 de Novembro
Em relatório entregue pelos militares espanhóis a Franco, é notado que a Espanha deverá entrar na guerra apenas se o Eixo garantir o fecho do canal do Suez, porque mesmo fechando o estreiro de Gibraltar, os britânicos continuarão no Norte de África. [3]

11 de Novembro de 1940
A Esquadra Italiana é atacada no porto de Taranto por aviões lançados por porta-aviões britânicos, o que constitui um golpe moral para as forças do Eixo

12 de Novembro de 1940
A Directiva XVIII é emitida por Hitler, delineando os principios gerais da guerra na Peninsula Ibérica

19 de Novembro de 1940
Em Berchtesgaden Hitler reune-se mais uma vez com o líder nazista espanhol Serrano Sunher. Embora Sunher seja um fervoroso germanófilo, conforme o próprio ministro alemão Von Ribbentrop afirmou, Hitler não deixa de ficar irritado com as «meias tintas» dos espanhóis.[4]
Quando Sunher chega a Espanha, apresenta a Franco e aos militares espanhóis a mais negra das prespectivas possíveis, chegando mesmo a afirmar que a Alemanha ameaçou a Espanha com a tomada de Gibraltar, com ou sem a aceitação dos espanhóis.[5]

5 de Dezembro de 1940
A Operação félix, é marcada para 10 de Janeiro de 1941. Três dias antes, Hitler tinha informado os seus generais de que Franco havia autorizado a passagem de tropas alemãs pela Espanha.[6]

7 de Dezembro de 1940
Colapso Italiano no norte de África. Um ataque britânico arrasa as linhas italianas e força os italianos a recuar desordenadamente. Neste mesmo dia, Franco e o Almirante Canaris, dos serviços secretos alemães, entrevistam-se para discutir as questões relacionadas com a entrada da Espanha na guerra.

18 de Dezembro de 1940
Emitida a Directiva XXI, Operação Barbarrossa, que determina os traços gerais da operação contra a União Soviética.

20 de Dezembro de 1940
Mussolini pede ajuda à Alemanha para debelar a inesperada resistência do exército grego, que não só fez parar a ofensiva italiana, como passou à ofensiva, invadindo o sul da Albânia e fazendo grande numero de prisioneiros italianos.


1941


22 de Janeiro de 1941
Tobruk cai nas mãos do exército britânico, perante a debandada italiana, tornando urgente o auxilio aos italianos, o que com a situação nos Balcãs e a projectada invasão da URSS torna a operação pouco viável, embora Hitler continue a referir-se a ela e a trocas correspondência com Franco.

10 de Março de 1941
A operação Felix, é tecnicamente terminada, com o seu adiamento, e transformação em Operação «Felix-Heinrich», partindo do principio de que a operação de invasão da URSS «Barbarossa» estaría terminada em 12 semanas. A tomada de Gibraltar, então seria feita, mesmo que a Espanha não autorizasse a passagem das forças alemãs.

 

 


[1] A inevitabilidade ou necessidade de a Espanha atacar Portugal, chegou a provocar mal-estar junto das estruturas militares portuguesas durante os anos 30 e parte dos planos de rearmamento não deixaram de considerar esta possibilidade.

[3] Especula-se que uma parte consideravel dos generais espanhóis estivesse de alguma forma controlada ou influênciada pelos britânicos. A pressão britânica sobre parte dos militares mais conservadores do exército espanhol, era vista como forma de equilibrar a cada vez maior influência da Alemanha através da Falange.

[4] Em 11 de Novembro, e imediatamente antes de partir para a Alemanha, para a reunião com Hitler, Serrano Sunher assiste a uma reunião em que estão presentes representantes das forças armadas espanholas, em que é recomendada cautela e em que se afirma que a entrada da Espanha na guerra neste momento, poderá expor o país a uma retaliação dos ingleses e implicará de certeza a perda das Canárias e da Guiné Espanhola.
No jogo político que se joga dentro da própria Espanha, Sunher, não consegue ter carta branca para embarcar no barco alemão, por causa dos relatórios apresentados pelos militares espanhóis.

Nessa reunião, é analizada a situação e Chefe do Exército, General Cuesta considera que para a Espanha entrar na guerra, será necessário de imediato invadir Portugal. Fazem-se estimativas sobre as capacidades disponíveis, concluindo que a Espanha apenas tem o que sobrou da Guerra Civil para atacar Portugal, e que esse ataque provavelmente resultará na entrada de Portugal na guerra ao lado da Inglaterra, e também à perda das Canárias para os ingleses.

[5] Serrano Sunher, jogava dentro da própria Espanha um jogo duro com parte dos militares, que eram desconfiados da Falange e que além disso eram partidários da neutralidade. Não há documentos escritos que provem que a Alemanha de facto pressionou Serrano Sunher, tendo feito ameaças de invasão. Mas essas afirmações passaram à história como verdadeiras, e pesando embora o facto de na correspondência entre Franco e Hitler, nunca ter havido qualquer menção a qualquer ameaça sobre a Espanha para a entrada na guerra. Só a palavra de Serrano Sunher valeu.

Interessado em entrar na guerra, aumentando assim o poder da Falange, movimento claramente militarista e que tinha como objectivo a expansão territorial da Espanha através da guerra, Sunher poderá ter fabricado, distorcido ou pura e simplesmente inventado as ameaças alemãs, para consumo interno e para intimidar os generais espanhóis que o tinham confrontado na reunião de 11 de Novembro de 1941 no Palácio do Pardo em que desaconselharam a guerra. A evolução da guerra, e a catastrófica acção italiana no norte de África no entanto, foram demasiado perturbadoras para os generais espanhóis contrários à guerra.

[6] Esta afirmação, permite concluir que na reunião com Serrano Sunher, terão sido dadas garantias pelo dirigente falangista a Hitler de que a Espanha entraria na guerra e autorizaria a operação de ataque a Gibraltar.



Título: Operação Félix (última actualização: 05.02.2007)
Autor: Paulo Mendonça
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