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A aquisição dos novos submarinos

A aquisição de novos submarinos pela Marinha de Guerra Portuguesa marca o fim de um processo polémico e arrastado, que durou mais de uma década. Desde os anos 90, que a Marinha Portuguesa desejava substituir os velhos submarinos da classe "Albacora", mas o processo arrastou-se por vários governos até à decisão final em Abril de 2005, que levou à compra de dois submarinos da classe 209 tipo 209PN, a construir no estaleiro alemão da HDW em Kiel. A entrega do 1.º submarino está prevista para Setembro de 2010, e o segundo para Setembro de 2011.

Assinatura Contrato
Cerimónia de assinatura do contrato de aquisição em 21 de Abril de 2004.

Este atraso vai fazer com que o país disponha apenas de uma unidade naval deste tipo até 2010 para treino das futuras guarnições e para todo o tipo de operações. Trata-se do submarino “Barracuda”, que apesar da idade, deverá funcionar até 2010, altura em que será abatido depois de 42 anos de serviço. 

As vantagens ao AIP
Os dois novos submarinos possuem de origem o sistema AIP - Air Independent Propulsion, que permite a estes submarinos actuar durante uma a duas semanas debaixo de água, sem terem que vir à superfície para ligar os motores diesel de forma a carregar as baterias do submarino. É que um submarino sem sistema AIP necessita de carregar as baterias durante cerca de três horas por dia. Para tal, é forçado a vir à superfície ou muito próximo da superfície, de forma a captar ar para os motores a diesel, que accionam os respectivos geradores de carga das baterias. Ora esta “necessidade” leva obviamente a uma maior exposição do submarino e a um aumento do ruído e correspondente assinatura acústica, o que torna mais fácil a sua detecção pelos meios em presença.


Com o AIP, o submarino pode manter-se em imersão até duas semanas, contra um máximo de oito horas dos actuais submarinos portugueses. É claro que tanto num caso como noutro estamos a falar de tempos médios que dependem obviamente do tipo de operação que o submarino desenvolve a da sua velocidade. Além disso, o sistema AIP ainda está longe de fornecer potências equivalentes ao sistema do motor a diesel.

Submarino Barracuda
NRP Barracuda: O último submarino da classe Daphné

No caso dos novos submarinos essa potência será de 240 kW, com o AIP alimentado por duas células de combustível a hidrogénio/oxigénio, que carregarão as baterias do submarino.
Levando em linha de conta, que a força necessária para impelir um submarino varia com o cubo da sua velocidade, é de considerar que o sistema AIP tem mais vantagens a baixa velocidade ou em missões em que não é exigido grande esforço ao submarino.
Mesmo assim, não é de minimizar o potencial de combate dos submarinos equipados com AIP, nomeadamente a melhoria da taxa de indiscrição do submarino, que desta forma fica menos exposto à detecção.

A autonomia dos novos submarinos será também maior do que a dos actuais. Os antigos submarinos da classe “Albacora” chegaram actuar no Atlântico Norte, no Mar Mediterrâneo e na zona da Guiné-Bissau. Como os novos submarinos esta zona de intervenção aumentará de forma significativa estendendo-se por todo o Atlântico até ao Indico.

O aumento da autonomia implica também um melhoramento das condições a bordo. A guarnição terá produção interna de água doce suficiente para dotar o submarino de chuveiros e uma maior privacidade na zona destinada aos beliches, que tornará possível a integração de mulheres nos novos submarinos, em compartimento próprio. Cada militar terá direito ao seu próprio beliche ao contrário do que acontece hoje nos velhos submarinos. A guarnição dos novos submarinos será constituída por 32 militares: 7 oficiais, 9 sargentos e 16 praças.

Diagrama

Uma comparação entre as áreas de actuação possíveis dos antigos “Albacora” e dos novos submarinos (diagrama do autor).

 



Título: Os novos submarinos da Marinha de Guerra Portugues (última actualização: 25.12.2006)
Autor: José Matos
Referências: Autor


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