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A invasão : Damão e Diu

O Estado da Índia Portuguesa estava dividido em três parcelas principais. Uma delas, a de Damão, tinha dependências nos territórios de Dadrá e Nagar-Haveli as quais tinham sido anexadas pela União Indiana em 1954. A anexação foi levada a um tribunal internacional, que deu razão a Portugal, mas não ficou clara a questão do direito de passagem, dado aqueles territórios não serem contíguos.

A Invasão de Damão

Damo
Damão: As posições portuguesas aquando da invasão indiana em 18 de Dezembro de 1961.

Com 50km quadrados de extensão, Damão tinha uma população estimada em 22.000 habitantes e dividia-se em duas parcelas, separadas pelo rio Sandalcalo. A parcela sul de menores dimensões, chamada de Damão-Grande (por causa da enorme fortaleza que ali se encontrava), e a outra de maiores dimensões, mas chamada de Damão-Pequeno, também por causa da dimensão muito menor do fortim na margem norte do rio Sandalcalo.

Em Damão, encontravam-se duas companhias de caçadores e um bateria de artilharia. O armamento das forças era idêntico ao que se encontrava nos restantes territórios. Relativamente antigo e com munição insuficiente ou fora do prazo de validade, o que levava a que muitas vezes as granadas não explodissem.

As operações militares da Índia tiveram inicio bastante tenpo antes da invasão, com as violações do espaço aéreo por parte da aviação indiana, tanto com aeronaves de asa fixa como com helicópteros.

Para a invasão, as forças da União Indiana prepararam um efectivo que ascendia a 4.000 homens, constituído por forças regulares e forças do SRP (State Reserve Police).

As forças portuguesas tinham também recebido cerca de dez dias antes da invasão, um canhão anti-aéreo de 20mm destinado a proteger a artilharia. Damão tinha sido protegido com pequenos campos de minas e tinham sido construídos abrigos defensivos.

18 de Dezembro

A acção militar contra Damão teve inicio por volta das 02:00 da manhã do dia 18 de Dezembro, contra o posto de Benselor.

Às 04:00 – Praticamente todos os postos da União Indiana começam a fazer fogo de armas ligeiras contra as posições portuguesas ao longo de toda a fronteira. As forças indianas avançadas, constituídas por um batalhão a três companhias (900 homens segundo fonte indiana) progridem pela área central do território norte, tendo como objectivo tomar o aeroporto.
Os oito militares portugueses nessa posição foram surpreendidos, tendo resistido até que as suas posições foram tomadas.

04:15 – Forças da União Indiana avançam sobre Calicachigão.
Até esta altura o comando do agrupamento de Damão ainda considerava que se estava perante um dos muitos incidentes de fronteira que já tinham ocorrido.

04:30 – A artilharia da União Indiana Inicia um bombardeamento sobre a fortaleza de Damão Grande.

04:45 – Logo que se iniciou o bombardeamento, a artilharia portuguesa recebe ordens para fazer fogo de contra-bateria sobre as posições indianas em Cuntá, onde os cálculos de tiro consideravam estar a artilharia inimiga.
Os ataques indianos e as dificuldades de transporte fizeram com que o comando em Damão Grande (sul) ficasse praticamnte isolado das forças em Damão-Pequeno.

07:00 – Um grupo de militares enviado ao aeroporto para verificar a situação é surpreendido pelas forças indianas que já ali se encontravam.

07:30 – O território de Damão é sobrevoado por aviões a jacto e de seguida atacado violentamente com bombas e foguetes. Este ataque dura meia hora.

A esta altura, informados pelo grupo de reconhecimento que se tinha deslocado ao aeroporto as forças portuguesas em Damão Pequeno (norte), na fortaleza de S. Jerónimo atacam as tropas indianas no aeroporto com fogo de morteiro.

08:30 – As posições portuguesas junto da fronteira em Damão-Grande (sul) informam que estão a ser atacadas pela artilharia indiana, recebendo ordens para se posicionarem nas posições defensivas previamente estabelecidas.

Também às 08:30 a artilharia indiana responde ao ataque português contra o aeroporto, atacando Damão-Pequeno.

09:30 – Ocorre o segundo ataque da aviação da União Indiana. Dois jactos bombardeiam a cidade, matando civis mas não atingindo qualquer objectivo militar.

10:00 – As forças portuguesas na fortaleza de S. Jerónimo (Damão-Pequeno) que estavam a fazer fogo de morteiro contra o aeroporto começaram a ser atacadas por fogo de contra-bateria da artilharia indiana. A força é obrigada a mudar de posição. A pontaria da artilharia indiana foi no entanto considerada pouco eficaz.

À mesma hora, o Maj. Costa Pinto, comandante do agrupamento de Damão, atravessa o rio de sul para norte, para se inteirar da situação, dado aparentemente o avanço das forças indianas só se verificar naquela área.

10:30 – É atacado o posto de Cátria, resultando na morte de um polícia.

11:00 – Ocorre o terceiro ataque da aviação da União Indiana. Os aviões atacam a área da frente de combate e a fortaleza de S. Jerónimo, onde tinham referenciado a origem dos disparos de morteiro portugueses. É violentamente atacado o posto de Bimpor, onde a resistência portuguesa tinha sido eficiente. O ataque não tem consequências porque as forças portuguesas estão protegidas pelas trincheiras previamente escavadas. Bimpor resistirá por mais duas horas, até retirar para Marvor.

11:30 – As forças portuguesas em Varacunda, esgotaram as suas munições. O posto ainda é remuniciado, sendo enviada uma viatura debaixo de fogo do inimigo.

12:00 – Sem munições para continuar a combater, é abandonado o posto de Benselor, retirando em boa ordem para Cátria, esta retirada facilita a progressão das forças indianas.
O comandante  do agrupamento ordena que a artilharia que se encontra na margem sul do rio Sandalcalo (Damão Grande) ataque as posições indianas em Cuntá, para continuar a manter a pressão sobre o inimigo.
No entanto, a ordem não é cumprida. Aparentemente, na falta de outras instruções, o comandante da Bateria (Cap.Felgueiras de Sousa) terá decidido içar bandeiras brancas, ordenando a destruição do material.

Gera-se confusão por causa de ordens emitidas pelo comandante da Bateria de Artilharia, sobre a rendição da praça. Ordens são dadas aos gritos, de ambos os lados do rio. Aparentemente, o comandante da Bateria de artilharia, deu ordens de rendição às restantes forças na margem norte, sem que para isso tivesse qualquer autoridade, e sem ter recebido ordem de rendição do comandante do agrupamento.

13:00 – Os vários postos na fronteira no extremo leste, de Calicachigão-A a Atiavar, vão ficando sem munições e retiram para Damão Pequeno.

14:00 – Ocorre o quarto bombardeamento da força aérea da União Indiana. O ataque incide sobre Damão Pequeno, onde se concentrava o principal foco de defesa, em Damão Pequeno, na margem norte do rio Sandalcalo.

16:00 – A infantaria portuguesa, que continua a fazer fogo de morteiro sobre as posições indianas, volta a mudar de posição, para evitar o fogo inimigo de contra-bateria.

16:30 – Perante a continuação do fogo, a aviação da Índia efectua o seu quinto ataque aéreo contra as posições portuguesas. Desta vez, é completamente destruído o posto de Catria.

17:00 – As tropas portuguesas retiram de Catria em direção à fortaleza em Damão Pequeno mas continuam a resistir.

17:30 – Ocorre o sexto ataque aéreo da aviação da União Indiana, desta vez recorrendo a bombas incendiárias. O bombardeamento mata seis civis e deixa outros feridos, mas não causa nenhuma baixa entre os militares.
No entanto, foi atingida uma embarcação que levava armas para a fortaleza de Damão Grande, tendo-se perdido armas e munições.

18:00 – A violência do ataque aéreo, desmoralizou consideravalmente as forças portuguesas, que retiram para sul, em direcção à fortaleza de Damão Grande, onde estavam hasteadas bandeiras brancas desde as 11:00.

É também por volta desta hora, que é atingido numa perna por fogo inimigo o próprio comandante do agrupamento, sendo levado ao posto de socorros.

19:00 – No próprio posto de socorros decorre uma reunião para fazer o ponto da situação. Conclui-se que o dispositivo defensivo se encontra desarticulado, não sendo viável a continuação da resistência.
É dada ordem para entrar em contacto com as forças inimigas, a fim de estabelecer negociações.

20:00 - Quando uma delegação portuguesa se tenta aproximar das linhas inimigas para parlamentar, é recebida a tiro, matando um dos soldados que a acompanhva e é obrigada a retirar. As negociações não prosseguem, porque entretanto caiu a noite.

19 de Dezembro

07:00 – Com o raiar do dia ocorre o sétimo ataque aéreo contra Damão. Como ocorreu com quase todos os outros ataques, há a lamentar a morte de civis, não sendo atingidos militares.

08:00 – Uma delegação enviada pela bateria de artilharia para tentar parlamentar com o inimigo é mais uma vez recebida a tiro, e forçada a retirar.
Mais tarde, os indianos fazem transmitir a exigência de que seja o próprio comandante, - que se encontrava ferido -  a apresentar a rendição.

09:00 – O comandante do agrupamento de Damão, é transportado de maca até à quinta de Manekgi, nas proximidades do aeroporto onde o comandante indiano aceita a rendição das forças portuguesas.


 

 

A invasão de Diu

Com 37km quadrados, Diu era o território mais pequeno do Estado da India. A sua população era aproximadamente a mesma de Damão (21.000 habitantes). Diu era um dos símbolos do império português. Ali decorreu a batalha que marcou o inicio do domínio marítimo português no Índico e se escreveram provavelmente algumas das mais gloriosas páginas da história militar portuguesa, de entre as quais se destaca o capitão António da Silveira[1], que resistiu em Diu aos Turcos em 1538. A fortaleza volta a resistir a um cerco em 1546

No entanto, Diu era apenas um simbolo, pois a sua pequena dimensão e pouca importância económica tinha relegado o território para uma situação secundária.

Diu
Diu: O mais pequeno dos territórios, situava-se numa ilha. No entanto, terá sido ali, que a desproporção entre mortos dos dois lados atingiu maiores dimensões.

Como nos outros territórios, também em Diu ocorreram várias violações do espaço aéreo e provocações por parte de forças irregulares da União Indiana, com o objectivo de justificar a invasão daquele território português.
Sabe-se que a 15 de Dezembro, foram evacuadas populações civis indianas nas áreas próximas à fronteira, o que foi aliás correctamente interpretado como uma preparação para o ataque.

Uma curiosa ocorrência, poderá ter alguma ligação com a possibilidade que se explora mais à frente.
No dia 16 de Dezembro, portanto na véspera do inicio das operações indianas contra Goa, ocorreu uma reunião entre o chefe da policia da União Indiana da região, e o seu homónimo português. Da conversa, a que faz referência o livro «A queda da Índia Portuguesa» de Carlos Alexandre de Morais, afirma-se que o policia indiano, pareceu estar em missão de recolha de informações.
Porém, o militar português terá respondido de forma evasiva ao indiano, tendo este alegadamente entendido, que não haveria resposta portuguesa em caso de invasão, dado os postos defensivos não terem condições para enfrentar um ataque.

Aparentemente, as forças da União Indiana, tendo como referência esta afirmação, não contariam com resposta por parte dos portugueses. Foi dado grande relevo àquela afirmação, a qual chegou a ser divulgada pela rádio oficial indiana.

As forças indianas preparadas para a invasão deveriam contar com cerca de 4.500 homens.

17 de Dezembro

21:00 – A lancha Vega, faz-se ao mar no cumprimento da sua missão de patrulha

23:00 – É enviada uma patrulha composta por quatro viaturas e duas peças de artilharia (supõe-se que se trate das peças de 87.6mm que estavam distribuídas às baterias de artilharia portuguesas) para a região leste da ilha.
Esta acção terá deixado as forças indianas confusas, pois não aguardavam movimentação portuguesa.

18 de Dezembro

01:30 – O posto da policia de fronteira, na península de Gogolá é atacado por uma companhia inteira de atiradores do exército indiano. Em Gogolá do lado português estão treze homens. O ataque é rechaçado, mas as forças indianas voltam a atacar pelas 02:00 da manhã.

02:00 – A bateria de artilharia portuguesa recebe ordem para fazer fogo com as peças de 87.6mm e com morteiros, sobre a área das salinas para aliviar a pressão. O ataque português obriga as forças indianas a retroceder para as suas posições iniciais.
Notou-se no entanto, que as armas foram carregadas várias vezes, sem que tenha sido possível disparar por causa de a munição já não se encontrar em condições.

Acontecimentos de Passo Covo

Não é possível interpretar correctamente o que se terá passado depois das 03:00 da manhã no extremo leste da ilha. Sabemos que as forças indianas afirmam que uma das suas companhias efectuou um ataque, mas que ficou atolada, ou «bogged down» em inglês.
Do lado português, os relatos afirmam que o ataque contra Passo Covo, foi desarticulado e que o inimigo, fugiu desordenadamente para o seu território.
As tropas indianas voltam a atacar novamente às 05:00 da manhã, com redobrada intensidade mas mais uma vez são rechaçadas pelas forças portuguesas, com o mesmo resultado.

Ora, não se entende como é que se foge desordenadamente quando se está atolado na lama. O que sabemos no entanto, é que o próprio exército da União Indiana, reconheceu que a unidade que efectuou o ataque não voltou a tentar outro.

Sabemos que, a União Indiana não poderia dar-se ao luxo de divulgar más notícias, se em Passo Covo, tivesse ocorrido algo diferente de uma «tropa atolada». As forças indianas, como já vimos acima, estavam convencidas de que o ataque seria fácil, que não haveria qualquer resistência e que se trataria apenas de um passeio.

A área em causa, é dominada por áreas lamacentas e são necessárias embarcações para atravessar o rio. Se a retirada indiana foi desordenada, também não se entende como é que de noite, em pânico e sob o inesperado fogo do inimigo foi possível retirar.

Os relatos afirmam no entanto que, até um mês depois da rendição dos portugueses, ainda se encontravam cadáveres indianos a boiar no curso de água que separa a ilha de Goa do território da União Indiana.

O posto de Passo Covo, continuou a ser bombardeado pelas forças inimigas após o primeiro e após o segundo ataques. Só por volta das 07:00, quando o posto é atacado pela aviação da União Indiana, os militares retiram.

Também às 02:00 da manhã, o posto de Passo Covo, informa que a movimentação de muitas aves durante a noite, denota a provável aproximação de forças inimigas.

03:00 – Pelo menos duas embarcações atravessam o rio em Passo Covo e desembarcam forças indianas. As tropas indianas são intimadas a parar e respondem com fogo.

 

04:00 – Um destacamento é enviado à península de Gogolá, para retirar os feridos e transporta-los para o posto médico. Em Gogolá, dos treze efectivos, dez estão feridos apenas três resistem às forças indianas.

05:30 – A artilharia portuguesa volta novamente a atacar as posições indianas na península de Gogolá, levando à debandada das forças inimigas.

Por volta das 06:00 da manhã, e ainda antes do nascer do sol, é avistada ao largo a silhueta de um grande navio. No entanto, o navio hasteou uma bandeira negra e vermelha, que as condições de luminosidade levaram a que fosse interpretada como sendo verde e vermelha. Nesse caso seria um navio português pelo que as tentativas de atacar o navio com artilharia foram canceladas [2].

06:30 – Em Passo Covo, o posto com os seus oito homens continua nas mãos dos portugueses e com o raiar do dia são encontradas embarcações abandonadas pelos indianos na sua retirada, ainda cheias de munições. É encontrado um ferido indiano, que é tratado e sinalizado com uma bandeira.

07:00 – Oito aeronaves indianas sobrevoam Diu e iniciam um bombardeamento, concentrando o fogo em Passo Seco e depois em Passo Covo. O ataque destruiu o emissor da rádio local de Goa, que tinha iniciado a sua emissão.

07:15 -  após o ataque aéreo, os oito militares de Passo Covo, retiram das suas posições.

07:30 – O destacamento de Malala, após o ataque aéreo também retira para a fotaleza.

07:45 – A fortaleza de Diu é atacada pela primeira vez, sendo especialmente atingidas as áreas onde se encontravam as posições da artilharia portuguesa, que durante a noite tinham atacado as forças indianas.

Desde as sete da manhã até às 15:00 a aviação continuou a efectuar ataques que chegaram a ser feitos com intervalos de dez minutos.

09:00 – A lancha Veja, é atacada e destruída por caça-bombardeiros da União Indiana.
À mesma hora os últimos dois homens abandonam o posto de Gogolá. Mais tarde as tropas indianas declaram a sua surpresa quando sabem quantos militares se encontravam em Gogolá.

10:15 – O cruzador Delhi, também começou a bombardear as posições portuguesas [3]

12:45 – Um dos morteiros das forças portuguesas é atingido por um foguete lançado pela aviação indiana. Segue-se um incêndio e teme-se o perigo de explosão de munições. Pouco depois, é atingida uma viatura que transporta munições e foguetes de sinalização, dificultando ainda mais a circulação na fortaleza.

O receio de que uma reacção em cadeia leve à explosão do paiol da bateria de artilharia, leva a que a fortaleza seja evacuada, operação que só fica concluída às 14:15 e decorre debaixo de fogo.

15:00 – Os ataques aéreos, que continuaram ininterruptos durante toda a manhã são interrompidos, mas o bombardeamento naval a partir do cruzador Delhi, continua.

17:00 – A força aérea indiana volta a atacar as posições portuguesas, desta vez atacando fortemente o aeroporto.

18:00 – O comandante do agrupamento analizou a situação e como resultado de várias análises e pressupostos, de onde se ressaltam a incapacidade de contactar com os vários postos, e a continuação da actividade da aviação inimiga, conta a qual nada podia fazer, concluiu que a força não se encontrava em condições de prosseguir uma resistência eficaz.

Um  grupo de militares dirige-se às forças indianas em Gogolá, atravessando o rio. Da reunião havida saiu um acordo provisório de cessar-fogo, em que as forças indianas se comprometiam a cessar fogo a partir das 08:00 da manhã do dia 19, caso cessasse o fogo da parte portuguesa.

19 de Dezembro

11:00 – A rendição formal que deveria ser realizada no largo frente ao Palácio do Governo, não pode ter lugar, porque o dito palácio já se encontrava destruído, tendo sido transferida para a messe dos oficiais.


Acção da lancha «Vega»

É de realçar durante a invasão de Diu, a acção da guarnição da pequena lança de fiscalização «Vega».
A embarcação encontrava-se numa missão nas proximidades de Brancavará, no extremo leste da ilha quando a bordo se ouviu intenso tiroteio em terra. Na sequência foi dada ordem para ocupar postos de combate e a lancha dirigiu-se para o porto de Diu. O radar da embarcação tinha detectado a presença de um grande eco que navegava oculto, com todas as luzes apagadas e que navegava a aproximadamente 12 milhas da costa.
A lancha voltou ao mar e identificou o navio indiano como sendo um cruzador. O navio indiano fez fogo com munição iluminante para identificar a posição da lancha (acompanhada por uma embarcação ainda mais pequena e desarmada, a lancha «Folque»).
Saindo do campo de tiro do navio, a lancha dirigiu-se novamente para uma posição entre o porto de Diu e o forte do mar.
Às 06:15 a Vega sai novamente para identificar o navio indiano com mais precisão, tendo voltado pelas 06:30.

O comandante, o 2º Ten. Jorge Oliveira e Carmo, trajou-se com farda de gala, afirmando que morreria com mais honra.
Às 07:00 a força aérea indiana ataca posições portuguesas em terra e a bordo é lida à tripulação uma mensagem em que se determina que combata até gastar todas as munições, devendo a embarcação ser destruída para não cair nas mãos do inimigo.

Às 07:30 O ataque da força aérea indiana dirige-se contra a fortaleza de Diu.
O comandante dá ordem para que se ocupem postos de combate, dirige-se para a barra a toda a velocidade e ordena que a peça antiaérea de 20mm faça fogo contra as aeronaves indianas.

Estas tentam por várias vezes atacar a lancha Vega, que beneficiando da sua pequena dimensão e manobrabilidade consegue escapar várias vezes dos tiros do inimigo. A embarcação foi finalmente atingida numa manobra conjunta de duas aeronaves, tendo atingido mortalmente o marinheiro-artilheiro e ferido com gravidade o próprio comandante.

A peça de 20mm ficara impossibilitada de fazer fogo e a embarcação estava envolta em chamas. As aeronaves indianas voltaram a atacar a lancha por uma segunda vez tendo nessa segunda passagem ferido todos os tripulantes com uma única excepção e morto o comandante, que estava gravemente ferido.
A tripulação, ferida na água, tenta desesperadamente salvar-se, tendo nadado durante três horas numa situação em que a maré os atirava para alto-mar. Um dos feridos, acabará por morrer antes de atingir terra firme. Um dos sobreviventes, ficará na água durante 7 horas.

Três aeronaves atingidas.

Por incrível que pareça, a minúscula embarcação com a sua peça de 20mm, conseguiu segundo os relatos da força aérea indiana atingir três aeronaves.

 


[1] – O agrupamento de Diu, era por isso chamado de Agrupamento António da Silveira
[2] – Alegadamente pretendia-se utilizar uma peça de 87.6mm para fazer tiro directo sobre o navio, o que seria no mesmo estranho. O navio era de facto o cruzador Delhi da marinha da União Indiana.
[3] – Não se sabe se o navio utilizou a sua bateria principal ou se em contrapartida se limitou ao armamento secundário. Acreditamos que o bombardeamento com as peças de 152mm da bateria principal, teriam no entanto causado danos de dimensões muito grandes, pelo que é eventualmente provável que tenha sido feito fogo com a bateria secundária.

 

 



Título: Invasão de Goa (última actualização: 05.12.2011)
Autor: Paulo Mendonça
Referências:


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