Listar armas do tipo
Espingarda / fuzil de assalto

Armas idênticas ou relacionadas:

CETME
Espingarda / fuzil de assalto
G-3 A3
Espingarda / fuzil de assalto
HK-21
Metralhadora

Dados sobre utilizadores deste armamento:



Acontecimentos relacionados
Revolução dos «Cravos»


G-3 A3
Espingarda / fuzil de assalto

Fabricante: Heckler & Koch
Tipo de arma: Espingarda / fuzil de assalto --- Calibre: 7.62mm
Cadência de tiro: 600 disparos p/min.Velocidade do projectil: 840 M/s
Alcance eficaz: 550MAlcance máximo: 1500M
Dimensões: Comprimento: 1025.7mm (Cano: 450mm) Largura: 57.91mm / Altura: 209.8mm
Peso da arma: 4.15KgDepósito(Carregador): 20 x 7,62 munições
Munição:7,62 x 51 NATO / FMJ Involucro total em metal /Potencia: 3340J
FiabilidadeManutenção5
Potência2Manuseamento6
Precisão3Preço7


Portugal
Espingarda m/961 G3 / Espingarda 7,62 m/963 G3
Fabricante em Portugal: FBP, Fábrica de Braço de Prata

Portugal teve necessidade de adoptar uma nova arma no inicio dos anos 60, por causa da guerra em África. No entanto as possibilidades não eram muitas. Os Estados Unidos mantinham um claro embargo a Portugal durante a era Kennedy. Portanto, a escolha tinha que recair sobre uma arma fornecida por um país que estivesse na disposição de transferir a tecnologia para o fabrico da arma em Portugal.

Teve papel determinante na escolha, a encomenda alemã de 50 000 espingardas automáticas G3 à FMBP, só oficialmente concretizada em 29 de Junho de 1962. (…) Duas armas se apresentaram como potenciais candidatas: a FN, de origem belga e a G3, de origem alemã. Ambas tinham vantagens e defeitos, contudo, a G3 tinha a seu favor as boas relações existentes entre Portugal e a RFA. O facto de este país estar disposto a autorizar, sob licença, o seu fabrico em Portugal, mediante o cumprimento de certas condições [1], bem como, desde logo, ter garantido a colocação da encomenda de 50 000 espingardas na FMBP ditaram a escolha da arma alemã. (…) Completada a transferência de «know-how» a FMBP passou a produzir parte dos componentes da G3 (canos e carregadores) e a proceder à montagem completa da arma, ainda em finais de 1962. Nos anos seguintes e de forma gradual, a FMBP foi produzindo cada vez mais componentes desta arma, tendo em finais de 1967 a incorporação nacional no fabrico atingido os 84% [2].


Quando chegou a África, em comparação com as antigas armas ligeiras das F.A. A G-3 era vista como extremamente sofisticada. Tratava-se de uma arma automática, que podia disparar rapidamente uma considerável quantidade de munição.

Foi necessário bastante treino para que a tropa se habituasse a entender que a posição normal da arma deveria ser a posição tiro-a-tiro, porque do ponto de vista operacional, gastar rapidamente a munição no meio do mato, seria um problema.

Houve inicialmente alguns problemas com a manutenção e necessária limpeza da arma. (embora, se feita de forma correcta e eficiente a limpeza permitisse a utilização normal da arma por bastante tempo).

Em 1965, já o numero de espingardas automáticas G-3 tinha ultrapassado as 150.000 nas forças armadas, e mesmo assim, ainda existiam em funcionamento 15.000 espingardas automáticas FN, fornecidas de emergência pelo exército alemão, antes da introdução da G-3.

A arma esteve presente nos vários cenários de guerra, em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Viu-se ainda a G-3 ser utilizada em Timor leste pelas tropas das Falintil. Até ao ano 2000, ainda algumas velhas G-3 se encontravam operacionais naquele território.

A substituição da G-3 nas forças armadas portuguesas aproxima-se a passos largos. A sua provável substituta será provavelmente a G-36, que é vista internacionalmente como a substituta lógica da G-3, embora outras possibilidades continuem em aberto.



[1] As condições eram as seguintes:
a) Portugal era autorizado a fabricar 50 000 espingardas G3 para a RFA, mas, também, todas aquelas de que necessitasse para as suas FA.
B) A produção da G3 em Portugal para exportação para países diferentes da RFA só poderia ser feita com um acordo prévio do Governo alemão e autorização da Heckler & Koch (empresa alemã que detinha a patente da G3)
c) O Governo português pagaria um «royalty» de 2,5% do valor das armas à RFA, durante um período de dez anos.

[2] Segundo o Relatório e Contas da FMBP - 1967, p. 15. Em 1973, ainda tinham que ser importadas da RFA algumas peças desta arma entre as quais a "cabeça da culatra". Cf. AHMDN, Cx 7 195, Peça nº 4. Memorando sobre a DNAIM, resumo da sua evolução e situação actual, p. 5. A produção da G3 chegou quase a atingir as 6 000 un/mês quando se intensificou a sua produção. No início a produção mensal era inferior a 2 000 un/mês. Depoimento do major-general Sousa Freire, director da FMBP entre Janeiro de 1974 e Fevereiro de 1981 e membro do Conselho de Administração da INDEP (1984)


Numero de armas G-3 distribuídas às forças portuguesas em 22 de Janeiro de 1974

Exército: 257.409
Marinha: 8.985
Força Aérea: 4.465
Outros: 27.536
Total: 298.395

in Indústria Militar Portuguesa no tempo da guerra 1961-1974 de João Moreira Tavares.

M.J.Paiva

A História da espingarda (Fuzil) automática G-3, recua até á segunda guerra mundial. A sua origem está nos estudos feitos pelos alemães no protótipo Mauser-MP44 (referência da Mauser para o StG-44), que estava em desenvolvimento quando a guerra acabou.

O MP-44 / StG-44, foi a primeira espingarda de assalto do mundo.

MP-44
O modelo original da G-3, o fuzil automático MP-44, desenhado no final da II guerra mundial


Os estudos de desenvolvimento foram continuados em Espanha, onde o responsável pelo desenvolvimento do modelo MP-44, Ludwing Vorgrimmel foi contratado pela CETME. O modelo que resultou desses estudos foi posteriormente fabricado em Espanha e recebeu o nome de CETME.

CETME
O CETME fabricado em Espanha (um dos primeiros protótipos


A procura por parte do exército alemão, de uma arma alemã, após a criação da NATO, levou á adopção da arma CETME, que voltava assim ao seu país de origem, a Alemanha passando a ser conhecido como G-3, fabricada pela H&K.

A G-3 e a sua congenere CETME são virtualmente idênticas, sendo a sua principal diferença a coronha, que na arma espanhola é em madeira, enquanto que na alemã é em plástico.


Informação genérica:
As armas da família G-3, originaram da primeira espingarda de assalto do mundo, a alemã MP-43.

Trata-se de armas semi-automáticas porque são operadas utilizando a pressão provocada pelo disparo, a qual acciona um embolo que por sua vez move o mecanismo que coloca uma nova munição na câmara.

Inicialmente fabricada na Espanha sob o nome CETME, a seguir à II Guerra Mundial, a arma voltou à sua origem nos anos 50.

A família G-3 é constituida não apenas pela espingarda de assalto G-3, mas pelos CETME e também pela metralhadora HK-21, ambas com várias sub-séries em calibre 7,62.

Existem também versões desta arma utilizando o calibre NATO 5,56.


A grande profusão de fontes que referem dados diferentes para cada tipo de arma, leva a que possa existir alguma inconsistência de dados.
Alcance eficaz: A distância aproximada em metros, em que se espera que o disparo atinja o objectivo. Alcance máximo: Normalmente a distância em metros em que o projectil precorre uma trajectória recta (tiro tenso).Não é considerado o alcance máximo possível do projectil que pode ser atingido numa trajectória parabólica.
A classificação para «preço», é inversamente proporcional ao custo previsto da arma. Pelo que uma arma muito cara terá uma classificação baixa.
 

Última actualização desta página : 02.03.2007