Força Aérea


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De volta ao serviço na Rússia
Sessenta MiG-31 até 2020
09.01.2012


As autoridades militares russas indicaram no inicio de Janeiro de 2012 que estão a considerar a possibilidade de modernizar um total de 60 exemplares do intercetor supersónico MiG-31, num programa de oito anos.

Um contrato para a modernização dos modelos mais antigos, reconvertidos para o padrão MiG-31BM, terá sido já assinado e as aeronaves serão modernizadas na fábrica de a um ritmo de uma unidade por mês de 2014 e até 2020, altura em que todos os exemplares deverão estar operacionais.
Com um radar que pode detetar ameaças a distâncias de até 320km [1].
A aeronave também poderá ser equipada com mísseis anti-radar KH-31A, adequados para atacar aeronaves inimigas, especialmente aeronaves do tipo AWAC, embora também possam ser utilizados para atacar outro tipo de aeronaves.

Embora o MiG-31 não tenha saído de serviço, é uma aeronave virtualmente inútil nos dias de hoje. Ele é uma modernização do interceptor MiG-25, que os soviéticos desenvolveram como resultado do logro montado pelos americanos, que levou aqueles a acreditar que embora os programas de bombardeiros supersónicos «Valkirye» tivessem sido cancelados, o seu desenvolvimento secreto prosseguia.

Quando os soviéticos perceberam que os bombardeiros que o MiG-25 fora construido para interceptar nunca existiriam, entenderam o logro e iniciaram um processo de modernização destinado a aproveitar o caríssimo projeto.
Surge assim o MiG-31, uma versão modernizada do MiG-25, com radar mais poderoso e armamento mais eficiente.

Construido como intercetor, o caça não tem no entanto manobrabilidade para entrar em combate contra aeronaves modernas. O seu desenho ultrapassado (datado dos anos 50) [4] e a sua enorme dimensão tornam-no um alvo fácil dos mísseis modernos. Ele possuiu um canhão de 23mm[3] e a sua defesa baseia-se em mísseis ar-ar e naturalmente na sua capacidade para fugir.
De facto a sua principal vantagem é a potência dos seus motores que o torna num dos caças mais rápidos do mundo, ainda que o MiG-31 seja mais lento que o seu antecessor o MiG-25.

A volta ao serviço do MiG-31, mostra que os russos continuam a preferir desenvolver velhos conceitos e aplica-los a realidades novas, em vez de desenvolver novos sistemas.
O orçamento russo é hoje uma sombra do que era no tempo da URSS e não é possível por isso custear novos programas.

A futura entrada ao serviço do MiG-31BM também demonstra que os russos estão a responder a uma nova tendência no armamento convencional dos seus potenciais adversários.
Os intercetores foram pensados para atacar aeronaves inimigas que penetram no espaço aéreo.
Durante muito tempo os soviéticos e posteriormente os russos, acreditaram que sem bombardeiros de longo alcance, os mísseis anti-aéreos de médio e longo alcance poderiam ser eficientes contra caças ou caça-bombardeiros.
Afinal, um ou mesmo dois mísseis eram muito mais baratos que um, caça. No conflito entre dois lados, a questão do custo da guerra é sempre importante e o míssil mantinha a vantagem.

Bombas guiadas de longo alcance: problemas para as defesas convencionais de mísseis anti-aéreos.
Bombas de pequeno diâmetro

Mas este paradigma aparenta estar condenado a mudar, por causa da introdução por parte das forças ocidentais, especialmente dos Estados Unidos das chamadas SDB`s.
Estas bombas guiadas de pequeno diâmetro são proporcionalmente muito mais baratas que um míssil e podem ser produzidas em grandes quantidades.
Os norte-americanos já começaram a utilizar a SDB para ataque contra alvos fixos e está em desenvolvimento a SDB-2, que permite atacar veículos em movimento.

Estas bombas podem ser lançadas a cerca de 100km do alvo, protegendo assim a aeronave lançadora dos mísseis anti-aéreos. Já foi testada uma destas bombas, auxiliada por um minúsculo motor de custo mínimo, que permite que a bomba atinja um alvo a mais de 500km.

As bombas destinam-se principalmente a destruir as instalações de mísseis anti-aéreos e os seus radares, cegando assim a defesa adversária.
As defesas são poucas, pois não é viável disparar mísseis contra as bombas porque embora elas são relativamente lentas (podem ser destruidas por mísseis anti-aéreos) o custo é incomportável. Um só F-15 pode transportar 32 bombas que têm um custo que é uma fração do custo de um só míssil anti-aéro.

Este novo tipo de armas, implica uma volta a conceitos de defesa mais antigos. A resposta mais óbvia é voltar a utilizar aeronaves intercetoras que utilizem a sua superior velocidade para chegar próximo aos aviões bombardeiros. Além disso, a existência dos intercetores permite dispor de uma segunda linha de defesa, mesmo quando a barreira de defesa de mísseis anti-aéreos deixar de funcionar. Sem essa linha de defesa secundária, os mísseis tornam-se pouco relevantes.[1]

Ao dispor de caças MiG-31BM equipados com um radar que em teoria pode detetar alvos a 360km, os russos pretendem proteger-se do eventual colapso de um sistema de defesa baseado em mísseis, que a mais recente tecnologia americana ameaça por em causa. Ainda assim a solução não é eficiente. Quando todos os 60 exemplares estiverem ao serviço, terão decorrido 60 anos desde que começou o seu desenvolvimento, algo que se está a tornar comum em muitos sistemas russos e não só.





[1] – Dados fornecidos pela industria russa, que normalmente não são verificáveis nem são sujeitos a testes ou normas internacionais.

[2] - Foi isto que aconteceu por exemplo na guerra do Yom Kippur em 1973. Enquanto Israel teve que se debater com os mísseis anti-aéreos soviéticos disparados pelos egípcios, sofreu pesadas baixas. Mas quando a ameaça dos mísseis anti-aéreos desapareceu, a superioridade tecnológica dos Mirage sobre os MiG-17 e MiG-21 acabou por garantir o desfecho favorável.

[3] – Inicialmente o MiG-25 não possuía canhões

[4] - O projeto que resultou no MiG-25 (e posteriormente no MiG-31) resultou de um programa iniciado no final dos anos 50. O programa destinava-se a desenvolver um caça intercetor supersónico pesado.
Por isso, os requisitos tecnológicos necessários para desenvolver o MiG-25 estavam já cumpridos e a tecnologia estava já disponível em 1960.


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