Portugal confirma aquisição do Leopard-2 A6Novos blindados deverão chegar já em 2008.26.09.2007
A assinatura de um acordo entre Portugal e a Holanda, veio confirmar o inicio do processo de transferência para o exército português de trinta e sete viaturas blindadas do tipo Leopard-2 A6.
Não são conhecidos ainda detalhes específicos sobre a compra, nomeadamente no que respeita a veículos de instrução e de recuperação, que são normalmente associados a este tipo de aquisição.
O Leopard-2 A6 é um dos mais pesados carros de combate do mundo e a sua manutenção e apoio no campo de batalha dificilmente poderá ser feita com os actuais meios do exército português.
Ao adquirir o Leopard-2 A6 o exército de Portugal entra num «campeonato» diferente e passa a operar aquele que é segundo muitos o mais sofisticado e poderoso «tanque de guerra» que existe presentemente no mundo.
 | Leopard-2A6 holandês em manobras | Embora a sua blindagem especialmente reforçada e composta por várias camadas de componentes metálicos cerâmicos de fibras, seja extremamente eficiente e dê aos tripulantes uma grande protecção, a «jóia da coroa» do novo tanque é o canhão L/55 de calibre 120mm de alma lisa.
Ligado a um sofisticado sistema de tiro controlado por um computador, ele consegue fixar vários alvos e dispara contra eles apenas teclando em alguns botões.
O tanque consegue atacar alvos de dia ou de noite e em qualquer tipo de condições atmosféricas.
O canhão L/55 fabricado pela alemã Rheinmetal, consegue destruir outro tanque a uma grande distância, sem que um veículo inimigo seja capaz de disparar contra ele.
Os norte-americanos utilizaram uma versão deste canhão, com menores capacidades no Iraque e a sua qualidade e percentagem de acertos foi fenomenal.
Perante tanques como os T-72, T-80 ou T-90 de fabrico russo o Leopard-IIA6 é praticamente invencível porque ele pode disparar contra eles a uma distancia tal, que os canhões dos tanques de origem soviética/russa não o podem atingir.
 | M-60 do exército: Fim de linha | Mas claro que na realidade, nada é invencível, porque o Leopard-2 não é invulnerável dado que conhecendo a desvantagem dos seus tanques, os países do antigo bloco soviético, prepararam os seus canhões para disparar mísseis anti-tanque com maior alcance, com o objectivo de ultrapassar a grande vantagem do Leopard-II, bem como do M1 Abrams que utiliza um canhão idêntico ainda que menos poderoso.
É aí que entra a sofisticação da blindagem do Leopard, que está preparada para resistir aos disparos de mísseis anti-tanque, ainda que não possa resistir aos mísseis anti-tanque mais modernos de ogiva dupla.
As negociações demoraram vários meses. A aquisição foi anunciada depois de num desfile militar em 10 de Junho de 2006 um carro de combate M-60A3 se ter avariado em pleno desfile e posteriormente foi nomeada uma comissão para acompanhar o processo. As negociações mais «duras» tiveram a ver com os custos, e o dinheiro a pagar por Portugal pelos veículos, pois ao contrário de todos os tanques recebidos pelo país até agora, que foram praticamente oferecidos, estes terão uma comparticipação da NATO de 33%, com os restantes 67% ficando a cargo do Estado Português.
Os trinta e sete carros de combate deverão ter um custo inferior a 80 milhões de Euros, o que por um veículo em 2ª mão é um valor considerável, pesando embora o facto de, mesmo sendo um veículo em 2ª mão o Leopard-2 A6 ser um carro de combate ao nível do mais moderno que existe.
Os novos tanques, que serão distribuídos à brigada mecanizada, vão igualmente ter instalados sistemas de comunicações de combate compatíveis com os que presentemente estão a ser instalados noutros veículos.
Uma plataforma como o Leopard-2 A6, é muito mais letal e a sua capacidade de combate é muitíssimo aumentada relativamente aos anteriores tanques. Ele disporá de um sistema informático que faz parte de uma rede local (Intranet) de computadores, em que cada tanque, através do seu próprio terminal informático, sabe onde se encontra cada um dos restantes veículos da unidade e tem acesso à informação táctica sobre o inimigo, que é fornecida por cada um deles. As decisões do comandante do veículo são tomadas na posse de uma grande quantidade de dados tácticos e num combate, ganha quem tem mais informação. | Detalhe da torre do Leopard-2A6 holandês |
Embora apenas em numero reduzido - pois os M-60A3 chegavam a uma centena - a capacidade de unidades militares equipadas com os 37 Leopard-2 A6 será muito superior. Bastará que se aproveitem correctamente as enormes potencialidades do novo sistema de armas e a sua interligação com os sistemas de comunicações e software de gestão e controlo de dados do campo de batalha produzidos em Portugal. Alguns dos sistemas em desenvolvimento em Portugal, pela sua elevada sofisticação poderão mesmo vir a ser adoptados como standard da NATO num futuro próximo.
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