Pandur com peça de 105mm novamente em consideraçãoSucesso de testes abrirá porta para mais 33 viaturas31.10.2007
A possibilidade de aquisição por parte do exército português de viaturas blindadas Pandur-II equipadas com torre com canhão de 105mm[1] parece continuar a ser considerada, após a divulgação de que continuam a ser feitos testes numa viatura Pandur-II equipada com a torre CT-CV da empresa belga CMI.
No caso de os testes deste sistema resultarem positivos, tal provavelmente implicará que o exército voltará a considerar a possibilidade de adquirir as 33 viaturas que continuam como opção de compra, embora além da torre CT-CV exista ainda a possibilidade de utilização da torre Otomelara HitFact, que tanto existe em versão 105mm como em versão 120mm e é utilizada pelos veículos de reconhecimento Centauro.
Esta última versão no entanto, conforme os dados disponíveis do fabricante, não tem a mesma capacidade para disparar munição com pressão mais elevada, o que limitará a sua utilizada contra alvos altamente blindados, que é uma das vantagens apresentadas pela CMI para defender a sua torre CT-CV.
A torre italiana é menos sofisticada e não tem sistema automático de carregamento, pelo que a sua alimentação é manual. A vantagem é que em principio o seu custo deverá ser inferior ao da torre da CMI, normalmente considerada como a mais sofisticada na sua classe.
O exército português havia afirmado em Fevereiro de 2006 que não acreditava que a proposta da Steyr para uma viatura blindada Pandur equipada com um canhão de 105mm fosse viável, tendo sido proferidas afirmações em que se afirmava que o exército tem dúvidas de que alguma vez tal seja possível.
O problema prendia-se com a pressão atmosférica dentro do veículo, a qual é necessária para a operação em ambiente de guerra nuclear/biológica/química para protecção das tripulações. Os sistemas testados na altura, não garantiam essa sobre-pressão quando disparavam, pelo que a aquisição das viaturas àquele fabricante pareceu descartada.
Veículo ligeiro com grande capacidade de fogo
A utilização de veículos com este tipo de características no exército português remonta às Panhard que foram adquiridas em parte para operação em Angola, onde no entanto a sua utilidade era mínima.
Com o fim dos Panhard como veículo de reconhecimento, apareceram os actuais V-150, armados com um canhão adequado para a função de reconhecimento, mas que pela sua potência é normalmente considerado como pouco adequado para a sua utilização numa viatura relativamente ligeira como são todas as viaturas da família V-100/Chaimite
A principal utilidade de um canhão de alta pressão capaz de disparar munição perfurante consiste na capacidade que esse tipo de canhão dá à viatura de disparar desde uma posição defensiva (atacar de um local oculto e fugir de imediato) com um elevado grau de possibilidade de perfurar e destruir um veículo blindado pesado.
O exército português parece assim continuar a apostar em manter uma unidade militar capaz de se deslocar por estrada a velocidades muito elevadas, mantendo ao mesmo tempo uma considerável potência de fogo.
Além da capacidade para se deslocar rapidamente por estrada, um veículo como o Pandur-II equipado com uma torre de 105mm deverá ter capacidade para ser aerotransportado, a bordo de uma avião do tipo C-130. Esta capacidade permite o reforço de unidades que estejam a efectuar missões de paz, mas que por alteração das condições locais tenham necessidade do poder de fogo que este tipo de arma permite dar.
A aquisição das viaturas não é no entanto certa, pois os custos previstos para este veículo são relativamente elevados, situando-se entre os 4 e os 5 milhões de Euros cada.
[1] Desde o inicio do processo de aquisição de viaturas blindadas sobre rodas que uma das exigências apresentadas aos concorrentes ao concurso internacional foi a de apresentarem este tipo de veículo.
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