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Polónia pode comprar submarinos U-214
Recusa grega em aceitar navio, pode ser negócio interessante.
24.11.2008

A imprensa alemã fez-se eco de rumores que correm no país, em sectores ligados à construção naval, sobre a possibilidade de o submarino do tipo U-214 «Papanikolis» da marinha da Grécia que está presentemente em Kiel em testes, por ter sido recusado pelos gregos, vir a ser vendido a outro país.

O submarino Papanikolis, idêntico ao submarino da classe U-209PN que se encontra na mesma cidade em testes e aprestos para entrega futura à marinha portuguesa, é o primeiro de uma classe completamente nova de submarinos com sistema de propulsão independente do ar, lançados pela industria alemã.

No entanto, a marinha da Grécia recusou a aceitar o submarino, alegadamente por causa de várias falhas que terão sido detectadas no navio, e cuja gravidade foi considerada elevada, levando à rejeição do navio.

Existe muita especulação sobre o que efectivamente se passou. Se por um lado os gregos continuam a recusar aceitar o navio, pelo outro os alemães afirmam que os problemas que foram encontrados, foram entretanto resolvidos e que a única razão para a não aceitação dos navios está relacionada com questões financeiras e com a intenção grega de não pagar parte do custo dos navios.

Problemas com a estabilidade destes navios foram aparentemente detectados também em navios da marinha da Coreia do Sul, que também construiu no seus estaleiros três exemplares, mas dado o secretismo da questão também não são conhecidos pormenores exactos sobre a existência de algum problema nos submarinos sul coreanos.

Sabe-se que muitas classes de navios apresentam problemas quando os primeiros exemplares são lançados, problemas que vão sendo resolvidos com o tempo, mas nem sempre isso acontece. São exemplo disso, os submarinos britânicos da classe Upholder construídos em 1991 para a Royal Navy e vendidos em 1998. Os seus vários problemas não foram resolvidos e os navios continuaram a ser uma fonte de problemas para os seus novos donos.

Possíveis interessados no Papanikolis

A possibilidade de o navio construído para a marinha da Grécia vir a ser vendido a outra marinha começou a ser ventilada há algum tempo, e com maior incidência quando há algumas semanas, o governo da Polónia divulgou os seus planos de investimento militar para os próximos anos.

O anuncio polaco, veio na sequência da invasão russa da Geórgia e da assinatura entre a Polónia e os Estados Unidos de um acordo para a instalação de 10 mísseis interceptores de médio curso na Polónia.

O país anunciou algum tempo depois que pretende modernizar as suas forças armadas, complementando a compra de caças F-16 block 52 com sistemas de defesa anti-aérea Patriot PAC-2, tendo também afirmado a intenção de reforçar a sua marinha com a aquisição de corvetas do tipo Meko-100 e de pelo menos um submarino.

Tácticas comerciais

Não é possível determinar com qualquer grau de certeza se a intenção polaca de adquirir o Papanikolis existe mesmo, se ocorreram apenas contactos preliminares e informais sobre o tema, ou se de facto se confirma que os gregos não estão interessados na aquisição daquela unidade.
Neste caso, torna-se especialmente importante verificar o que ocorre com os restantes três navios do tipo que foram adquiridos pela Grécia, mas cuja construção ficou a cargo de estaleiros gregos.

Afirmar que existem outros interessados, é uma estratégia comum neste tipo de negociações quando um país afirma não estar interessado num equipamento. Ainda recentemente isso ocorreu com a Rússia na questão envolvendo o porta-aviões admiral Gorshkov e é prática comum em negociações, pelo que a referência ao eventual interesse de outras marinhas deve ser analizada com todo o cuidado.
Além da marinha da Polónia, presentemente, o único país com submarinos em idade de substituição é a Bulgária que poderá estar interessada na substituição do seu único submarino, um navio de fabrico soviético.

O U-214 é um submarino adequado para operação em águas profundas, como as do Mediterrâneo e nas águas das costas polacas no Mar Báltico, a profundidade é mínima e os submarinos para sobreviverem têm que desenvolver técnicas adequadas a aproveitar o fundo do mar como protecção.

Por causa de o Báltico ser um Mar quase raso, a marinha da Alemanha exigiu desde o final da II Guerra Mundial, que os seus submarinos fossem construídos com um tipo de aço especial «amagnético» que dificulta a sua detecção por meios anti-submarinos. Por essa razão a marinha da Alemanha utiliza o submarino U-212, de menores dimensões e menor capacidade de mergulho, mas que pode passar despercebido a uma profundidade média de 56 metros (que é a profundidade média do Mar Báltico).

Mas os U-214 não foram feitos para essas condições, e são construídos para mares mais profundos, podendo segundo várias fontes ultrapassar os 400m de profundidade.
Logo, o U-212, embora com o mesmo tipo de tecnologia do U-214, seria mais adequado para a marinha da Polónia que o U-214.

A venda em segunda mão de um navio rejeitado, não deixaria no entanto de afectar a imagem internacional dos submarinos U-214, pois criaria a impressão de que uma unidade do U-214 teria sido vendida a preço de saldo, porque era um equipamento de qualidade inferior.
Em qualquer dos casos, os estaleiros alemães terão um problema complicado entre as mãos para resolver.


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