Afinal quem manda no Haiti ?Competição entre países, gera tensões e não ajuda18.01.2010
Em meio à confusão criada pela catástrofe na metade ocidental da ilha de Hispaniola, na República do Haiti por um terremoto que ultrapassou o grau 7, a ajuda humanitária está provocando alguma tensão entre as forças de vários países, enviados para aquele país do Caribe.
A única forma rápida de fazer chegar ajuda humanitária ao flagelado país, é por via aérea utilizando o pequeno aeroporto de Port-au-Prince, a capital.
Preparado para voos turísticos, o aeroporto não tem estruturas suficientes para garantir o ritmo de chegada de aeronaves necessário para garantir um fluxo de ajuda humanitária capaz de responder às enormes necessidades de um país onde a maioria da população já era pobre antes do terremoto e que agora é pouco mais que miserável.
Menos de dois dias após o terremoto, o país que mais auxilio humanitário enviou para Haiti foram os Estados Unidos, que tomaram o controlo operacional do aeroporto, cujas estruturas deixaram de funcionar, garantindo assim o fluxo de aeronaves.
A operação norte-americana tem sido criticada por vários países, irritados com a forma de agir dos norte-americanos.
Normalmente pouco diplomáticos, os militares dos Estados Unidos não demonstram nunca qualquer problema em mostrar que «quem avança, é quem manda». Na verdade em apenas alguns dias os norte-americanos deslocaram para o Haiti e para as águas do país, um total de 35.000 militares, dos quais de 10.000 a 14.000 estão em terra.
Além de um porta-aviões, de um porta-helicópteros e de navios menores, os americanos enviaram ainda um dos seus dois navios-hospital com capacidade para 1.000 camas, o USS Confort.
Dezenas de voos de cargueiros pesados do tipo C-17, têm sido feitos entre território norte-americano e a ilha. A esmagadora maioria do esforço humanitário tem sido feito pelos norte.americanos que são na realidade os únicos com a capacidade logística adequada para uma operação dessa envergadura.
A aterrisagem e decolagem de aeronaves de outros países não terá recebido prioridade, levando a protestos nomeadamente do Brasil e da França.
No Sábado as Nações Unidas afirmaram que não há nenhum problema de coordenação e que as forças norte-americanas estão trabalhando de forma coordenada.
A intervenção americana no entanto, parece ter sido a única forma de evitar que o caos total se instalasse no único ponto de ligação entre Haiti e o mundo exterior, uma vez que a ligação por estrada com a República Dominicana é demorada e em alguns casos perigosa.
Mesmo com a intervenção norte-americana as dificuldades logísticas são tremendas e a população Haitiana, que continua vivendo na rua, começa a ficar inquieta. Vários tumultos resultaram já em mortes e a possibilidade de mais violência leva à necessidade de envio de tropas para a segurança quer das populações quer do pessoal que foi enviado para auxilio.
 | USS Confort, hospital flutuante norte-americano: A dimensão da ajuda norte-americana ao Haiti, deixou outros países irritados. | Ainda assim, o auxilio norte-americano foi criticado pelos regimes marxistas da região, com Hugo Chavez da Venezuela e Daniel Ortega da Nicarágua acusando os Estados Unidos de terem invadido o Haiti.
Hugo Chavez, chegou mesmo a afirmar em direto através da emissora oficial do regime venezuelano «Telesur», que os americanos estavam enviando militares em vez de enviar médicos. No entanto o dirigente Venezuelano não se pronunciou sobre a não existência de segurança em grande parte do pais, que ficou com as suas já débeis estruturas completamente destruídas e onde a população já teve que criar milícias populares para conter centenas de criminosos que escaparam das prisões que ruíram com o terremoto.
Competição para as televisões
Mas não foi apenas o regime Venezuelano que aproveitou para criticar a liderança norte-americana. Nos últimos dias, vários têm sido os governos que têm utilizado a catástrofe e a desgraça dos Haitianos para promoção própria.
A pressão da mídia, leva a que a opinião pública pergunte o que o seu país está fazendo para ajudar e o resultado é que os países têm que mostrara que estão fazendo alguma coisa. Quando o que foi enviado não chega, começam as queixas.
Prevendo estes problemas o governo da China, foi dos primeiros a apresentar vídeos previamente gravados, com sua ajuda humanitária encenada por atores, transportando a ajuda acompanhada por grande numero de gloriosas bandeiras da China. O governo de Pequim transmitiu para sua opinião pública a ideia de grande empenhamento, mas na realidade a grande distância a que se encontra do território Haitiano, impediu qualquer ajuda humanitária de relevo, para lá do auxilio aos chineses que estavam na ilha.
O governo da França, mostrou irritação porque sua ajuda humanitária não recebeu a prioridade a que os franceses achavam que tinham direito. Quando um avião francês enviado com ajuda humanitária teve que esperar por ordem americana, os franceses questionaram as Nações Unidas sobre a atuação das forças norte.-americanas.
O Brasil também se sentiu incomodado, com a agravante de no caso brasileiro, o país ser responsável pela missão das Nações Unidas no território. Já foram necessárias conversas telefónicas entre Washington e Brasília para desbloquear problemas que ocorreram quando aeronaves brasileiras tiveram que aguardar autorização para chegar à capital Haitiana. Os brasileiros se sentiram desprestigiados perante a enormidade da demonstração de força dos norte-americanos, levando mesmo algumas autoridades em Brasília a perguntar porque os americanos não ajudaram antes o necessitado país.
Governo Haitiano tenta acomodar todos
Entretanto numa tentativa de acalmar os ânimos e de evitar possíveis problemas, foi emitido um comunicado conjunto do governo dos Estados Unidos e do Haiti, em que se reafirma o pedido de auxilio do presidente Haitiano, René Preval aos Estados Unidos.
Na comunicação foi reforçada a importância do papel das forças miltiares dos Estados Unidos, que logo que chegaram ao Haiti, iniciaram uma operação de emergência para aumentar a capacidade do pequeno aeroporto para receber mais aeronaves. A tomada do controlo do aeroporto de Port-au-Prince, permitiu passar sua capacidade máxima de 60 para 100 aeronaves por dia.
Os problemas parecem ter sido ultrapassados, pois no Brasil em declarações à imprensa, um adido militar norte-americano afirmou que as funções desempenhadas pelos militares norte-americanos não se sobrepõem às das Nações Unidas. A ajuda norte-americana é negociada diretamente com o governo do Haiti.
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