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Não há como entrar na Guiné
Forças da CPLP incapazes de ativar qualquer operação
21.04.2012


Em meio a declarações bombásticas por parte de vários políticos portugueses e de outros países, e das afirmações na sede das Nações Unidas em que se pede a volta da legalidade constitucional e do processo eleitoral na Guiné-Bissau, uma realidade é neste momento aparente e realçada por vários analistas:

Os militares guineenses são uma força militar controlada pelo narco-tráfico, mas a CPLP e os seus países constituintes não tem capacidade para os enfrentar e defender o estado de direito democrático.

Portugal, foi o primeiro país a divulgar o envio de alguns navios de guerra para a ilha da Madeira, de onde mais facilmente podem atingir as águas da Guiné-Bissau.
Ao mesmo tempo, os portugueses enviaram para Cabo Verde um avião de patrulha marítima P3 Orion e têm de prevenção outros meios aéreos, como pelo menos uma aeronave C-130 Hercules.

Ocorre que aqueles meios são de pouca utilidade se o objectivo é retirar cidadãos portugueses e de países amigos e ao mesmo tempo apoiar a libertação do presidente interino e do primeiro ministro (e candidato a presidente).

A fragata da classe Vasco da Gama, enviada para a região, é um navio medianamente moderno e com algum valor militar, mas é ao mesmo tempo pouco útil para participar numa operação de evacuação.

Apenas em caso de conflito grave o navio poderia ter alguma utilidade e mesmo assim esta consistiria na utilização do seu helicóptero orgânico para transportar pessoas de e para a fragata, utilizando o navio como plataforma para negociações.

No entanto, não há grandes negociações a fazer, numa altura em que os militares guineenses já afirmaram que vão considerar como força invasora, mesmo uma força mandatada pelas Nações Unidas.

A fragata, equipada com mísseis anti-navio e mísseis anti-aéreos, é neste caso de pouca relevância. Um só míssil anti-navio Harpoon, custa mais que todos os navios da marinha guineense, pelo que a única arma com alguma utilidade é o seu canhão de 100mm que tem um alcance máximo de 17km.

A única utilidade da fragata seria a sua utilização para apoiar com fogo da sua arma principal, quaisquer forças que se encontrassem na zona do aeroporto internacional de Bissau (aeroporto Osvaldo Vieira) mas ainda assim, esse apoio poderia não ser suficientemente preciso e o navio teria que se aproximar demasiado de terra, a distâncias inferiores a 3,000m, onde poderia ser alvejado desde terra.

Neste caso, ao ser acompanhada por uma corveta, a fragata poderia contar com o apoio de fogo desta, para neutralizar qualquer ação com origem em terra. As peça principal da corveta é mais antiga e menos precisa que a da fragata, ainda que as duas sejam do mesmo calibre e modelo.

Em qualquer dos casos, a introdução de uma força militar na Guiné-Bissau, com o objetivo de garantir a libertação dos lideres que estão presos e ao mesmo tempo impor restituição da legalidade democrática é impossível com os meios disponíveis.

Tal operação terá sempre que passar pelo controlo do aeroporto, única forma de garantir a chegada de forças militares em aviões C-130 ou C-295.
Ora sabe-se que a zona do aeroporto é uma das áreas da capital guineense que se encontra mais guardada pelos revoltosos.

Forças angolanas

Talvez a maior icognita neste momento, seja a localização das forças que Angola terá ainda na Guiné-Bissau, cuja saída tinha já sido anunciada. Não há informação concreta sobre a constituição das forças angolanas e sobre os seus efetivos operacionais.
Várias informações vindas de Angola dão conta de uma força do escalão companhia reforçada, ou seja cerca de duas centenas de homens.

Não são conhecidas as condições de apoio logístico a estas forças, ainda mais que o aeroporto Osvaldo Vieira foi encerrado e não há notícia de nenhuma embarcação que se tenha aproximado de Bissau para remover os angolanos.

Sabe-se que a situação das forças armadas guineenses é suficientemente má em termos de armamento, para que essas forças temessem a presença de um pequeno grupo de militares angolanos no país.

Antonio Patriota: O Brasil diz NIM e continua em cima do muro
Brasil: O gigante de pés de barro

A situação brasileira é ainda mais estranha, já que o país procura o reconhecimento internacional que é seu de direito, e que decorre da sua dimensão económica geográfica e demográfica.
Além dessa dimensão, o Brasil é de longe o mais importante país de língua portuguesa e existe uma organização chamada CPLP a que o Brasil pertence e que tem uma componente militar.

Perante tudo isto, o Brasil tem uma atuação apagada e quase silenciosa perante a situação. O ministro das relações exteriores, Antonio Patriota adiantou no sábado que ainda não se sabe se o país poderá participar em alguma força das Nações Unidas e que a existência de tal força ainda não foi considerada.

De resto, Patriota se limitou a declarações de circunstância em favor da legalidade democrática.

Os outros países da CPLP não têm capacidade de intervenção, ainda que Cabo Verde, por causa da distância, seja de especial importância, estando já ali pelo menos um avião de patrulha marítima da Força Aérea Portuguesa.
Cabo Verde acabou de receber um moderno navio patrulha, mas a embarcação não possui armamento.

No computo geral, já uma total falta de meios de projeção de forças por parte das forças militares dos países da CPLP (apenas o Brasil possui alguma capacidade nessa área mas a sua operacionalidade é discutível).

Segundo os analistas, estas dificuldades são conhecidas dos golpistas guineenses, que por isso pouco ou nada têm que temer.
A arma mais eficiente contra os revoltosos, serão as sanções individuais, que já foram consideradas em Nova Iorque pelas Nações Unidas.


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