Exército europeu não é ideia absurdaAfirma ministro da defesa britânico28.10.2008
Recentes declarações à imprensa britânica do novo ministro da defesa do Reino Unido, vieram-se somar neste fim de semana a outras proferidas por outros dirigentes europeus sobre a eventualidade de a União Europeia criar uma estrutura militar própria.
O Ministro britânico John Hutton disse que não era absolutamente céptico no que dizia respeito à política de defesa europeia, e que era necessário ser pragmático, uma vez que a própria defesa do país depende em grande medida da existência de uma politica de alianças.
As afirmações eram dirigidas a parte dos políticos britânicos que consideram que qualquer coisa que tenha a ver com a União Europeia é por definição má ou terrível. O ministro referiu ainda que achava que esse tipo de posicionamento por parte dos políticos britânicos era patético.
As declarações do ministro britânico são importantes porque a Grã Bretanha é a maior potência militar da Europa, mas sempre rejeitou a possibilidade de criar uma estrutura militar para a União, sob o argumento de que tal organismo seria uma duplicação da Aliança Atlântica.
A estrutura militar da NATO, de que fazem parte muitos dos países da União Europeia, com a curiosa excepção da França, continua a ser considerada o principal pilar do sistema de defesa da Europa, no entanto a aliança é sempre comandada por um militar norte-americano, o que leva a que muitos europeus considerem que a aliança é controlada pelos Estados Unidos.
O controlo que os norte-americanos têm da Aliança Atlântica em território europeu é muito menor que o que poderia parecer. Essa independência ficou aliás clara aquando da crise no Iraque em 2003 em que parte dos países europeus decidiu não acompanhar os Estados Unidos na operação «Liberdade para o Iraque» que levou à remoção de Saddam Hussein do poder.
O actual presidente da França, Nicolas Sarkozi tem feito da criação de uma estrutura militar europeia que possa funcionar de forma efectiva um dos seus objectivos durante a presidência francesa. O objectivo seria a criação de uma força que embora não seja exactamente definida, poderia ter entre 10.000 e 40.000 homens, sendo participada por todos os estados membros, que contribuiriam proporcionalmente.
A França e a Alemanha desenvolveram uma experiência de integração militar com a Alemanha, criando uma unidade conjunta. No entanto esse tipo de aproximação ao problema enfrentou vários problemas, sendo que entre os principais problemas está o da língua.
A barreira linguística entre os vários países da União, torna a interligação entre as suas forças um pesadelo, que só pode ser comparado à bíblica Torre de Babel.
Existem soluções que podem facilitar as operações militares e entre essas está a integração de unidades a outro nível, em que por exemplo, as forças de engenharia pertencem a um país, as forças de vanguarda blindadas pertencem a outro e as forças de apoio de artilharia pertencem a outro. Isto facilita a operacionalidade e a rapidez de resposta de cada uma das armas e serviços envolvidos, que dentro da suas unidades utilizam a sua própria língua.
A ligação entre as várias unidades não é feita através de comunicação por voz, mas sim através de sistemas de computadores. A comunicação de pedido de reforços, apoio técnico, e as ordens do comando podem ser dadas de forma gráfica, num computador com símbolos militares reconhecidos por todos, ultrapassando assim o problema da comunicação.
A solução é no entanto apenas parcial, porque em operações militares, o problema da diversidade linguística e étnica dentro de uma mesma forma acaba sempre por gerar problemas.
Entre os defensores do exército europeu encontra-se especialmente a França, embora países como a Alemanha, a Bélgica, a Holanda e a Itália tenham também considerado a possibilidade como interessante. Segundo o Tratado De Lisboa, uma espécie de constituição que não entrou em vigor por causa do Não da Irlanda, a NATO continua a ser considerada o principal pilar de defesa da Europa. Outro país que parece interessado na criação de uma estrutura europeia de defesa é a Rússia, que nunca aceitou a aliança entre os Estados Unidos e a Europa e que a vê como uma ameaça à sua hegemonia no leste europeu.
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