Estrutura da ETA operava a partir de ÓbidosLisboa e Madrid discordam dos números06.02.2010
As autoridades portuguesas revelaram neste fim de semana que os fertilizantes agrícolas e os explosivos encontrados na região de Óbidos, 100km a norte de Lisboa, poderão ser parte de uma estrutura da ETA [1], organização separatista que luta contra a presença espanhola no País Basco.
Ainda que inicialmente a dimensão da apreensão não fosse clara, dado as mais variadas fontes apresentarem números completamente dispares, as autoridades espanholas apressaram-se a divulgar numeros que se revelaram fantasiosos sobre as quantidades de explosivos apreendidas.
O Ministério da Administração Interna revelou no Domingo que o número de explosivos efectivamente detectados atingia os 300kg (trezentos) e que juntamente com os explosivos foram encontrados 500kg de fertilizante agricola.
 | Rubalcaba, o ministro espanhol do interior divulgou dados completamente incorrectos sobre a ocorrência: Tradicional incompetência ou Má Fé ? | As autoridades espanholas, que não citaram fontes afirmaram que se encontravam em Óbidos 75kg de Nitrato de potássio e 1330kg de Nitrato de Amónia, dois fertilizantes utilizados para a agricultura. Estranhamente, as autoridades do governo de Madrid divulgaram informação mais precisa que aquela que foi divulgada pelas autoridades portuguesas.
Informações erradas
Aparentemente a informação que foi posta a circular pelo governo espanhol não correspondia à verdade e foi resultado ou da tradicional incompetência da entidades oficiais, ou destinou-se a criar um «facto político» destinado a permitir aumentar a pressão sobre as autoridades portuguesas.
A quantidade de explosivos encontrada, que inicialmente se estimava em 50kg atingiu segundo as autoridades portuguesas os 200kg. Foram igualmente apreendidos detonadores e Ácido Sulfúrico, um componente utilizado para produzir TNT.
Como não é provável que os proprietários daqueles produtos - que alegadamente farão parte da organização separatista ETA - estivessem interessados em iniciar actividades agrícolas, as autoridades parecem ter concluído que é possível que a dita organização esteja a utilizar território português para armazenar matérias primas e para produzir explosivos.
Segundo os dados disponíveis os 200kg de explosivos foram destruídos, mas não se sabe de que explosivo se tratou, sendo apenas divulgado pelas autoridades que tratava-se de um composto «instável». Também não foi divulgado se era um produto de fabricação artesanal, ou algum outro tipo de explosivo comercial que a ETA também costuma utilizar.
Que explosivos utiliza a ETA ?
Segundo a imprensa espanhola, entre os produtos mais utilizados pela organização basca, está uma mistura de Nitrato de Amónia e Alumínio em Pó. Esta mistura produz um composto conhecido como «Amonal» que costuma ser fabricado pela ETA para os seus atentados.
Costuma também ser utilizado um explosivo que resulta da junção de Nitrometano com Nitrato de Amónia e Alumínio em Pó, que produz um combustível líquido referido como «Amonitol».
Os explosivos normalmente são activados com calor, o que explica que os engenhos tenham já sido encontrados na presença de botijas de Gás. A sua utilização é complicada pois o conjunto é volumoso. A ETA recorreu a viaturas comerciais para montar no interior o conjunto, como ocorreu no atentado no terminal 4 do aeroporto da capital espanhola em 30 de Dezembro de 2006.
Além de explosivos artesanais a organização também recorreu à utilização de Dinamite, que a organização já chegou a adquirir por via ilícita. Várias notícias há bastante tempo deram a entender que a ETA poderia ter adquirido explosivos em Portugal.
A ETA também utiliza ou utilizou um explosivo industrial conhecido como GOMA-II ou GOMA-II-ECO (uma variação melhorada). Quando ocorreram os atentados terroristas de 2004 em Madrid, o explosivo utilizado pelos extremistas islâmicos foi confundido com este explosivo, produzido em Espanha, tendo gerado a confusão entre as autoridades daquele país.
Circunstâncias estranhas
As autoridades espanholas afirmaram já diversas vezes que existiam estruturas da ETA em Portugal. Nunca foram porém referidas quaisquer provas. Na verdade, ainda que existissem provas, dificilmente poderiam ser apresentadas, dado a sua colheita ser necessariamente feita pela polícia secreta espanhola, ou entidade similar agindo de forma ilegal em Portugal.
Também segundo a imprensa, os alegados terroristas terão escolhido uma casa em Óbidos, numa área em que muitos dos vizinhos eram agentes da polícia ou da Guarda Republicana.
Terá ocorrido uma «escolha» azarada do lugar para armazenar os explosivos.
A fuga dos alegados terroristas também terá ocorrido em circunstâncias estranhas, deixando portas abertas e luzes acesas. Estes últimos indícios terão estado na origem da suspeita desses mesmos vizinhos.
Os indícios estão a ser investigados pela Polícia Cientifica.
Estado de Guerra
A ETA mantém um estado de guerra aberta contra o Estado Espanhol. A organização basca é no entanto considerada como organização terrorista pela União Europeia. A luta armada teve inicio durante os anos 60 durante o período do governo de Francisco Franco, que promoveu o genocídio dos bascos durante a guerra civil espanhola.
O principal símbolo da repressão sobre os bascos foi o bombardeamento pelos nazistas espanhóis da cidade de Guernica onde segundo a tradição, se encontra a arvore (Carvalho) que representa as liberdades dos Bascos desde tempos imemoriais. O ódio de Francisco Franco por qualquer independentismo ou intento de liberdade, esteve na origem do ataque de que resultaram até 400 mortos.
Durante a guerra civil, o governo português colaborou activamente com as autoridades franquistas, no sentido de reprimir os opositores ao regime.
[1] – ETA significa Pátria Basca e Liberdade
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