Brasil
Força Aérea

Os que olham para o chão

por Ricardo Rodrigues
14.07.2005


São Paulo, Brasil, 14 de Julho de 2005

O mundo da aviação é sem duvida um dos que mais desperta paixões. Desde crianças ao som de um motor no céu, temos o reflexo imediato de procurar descobrir que máquina maravilhosa será que está a tirar o sossego dos pássaros e a instigar a nossa imaginação infantil. E quando contaminados por esse benéfico vírus, levaremos connosco para toda vida, o singelo ato infantil de continuarmos olhando para céu, ao menor sinal de um motor vindo ao longe. E prestamos exames na escola de preparação de cadetes, vamos a museus, a exposições a shows aéreos, montamos plastimodelos, planadores, aeromodelos e quantas vezes ao receber-mos uma folha de propaganda qualquer no trânsito, mecanicamente, a transformamos em mais um aviãozinho de papel entre tantos já feitos em nossa vida com tantas folhas.

E passa o tempo, mas a paixão permanece, as vezes adormecida pelas atribuições do dia a dia, as vezes por nossos filhos serem meninas, mais afectas a outros interesses lúdicos, as vezes por já termos pousado nossa imaginação no campo de pouso pedregoso da idade adulta...mas a Internet e fóruns como este e tantas e variadas outras páginas de informação ao alcance de um clique ,talvez estejam trazendo novamente a possibilidade de "decolarmos nossa mente" novamente no imaginário da divagação do "E se fizesse-mos isto? Haveria a possibilidade de...? Há momentos maravilhosos destes nos anos que se passou a discutir o "Projeto FX", tanto nas páginas especializadas, quanto nos fóruns como nas revistas especializadas e até nos jornais "não" tão especializados, mas se deram tanta importância e se tanto se discutiu as questões políticas , as questões técnicas a autonomia a capacidade o armamento a transferência de tecnologia e etc,etc,etc...ufa!

Na realidade o que ficou de mais importante foi o desejo de todos de realizar através de "12" aviões, o sonho de um país mais responsável e orgulhoso de si mesmo, um pouco mais próximo da modernidade do primeiro mundo. Mas talvez ainda mais do que isso, passamos horas, dias, meses e anos sentindo o "virus" ativo dentro de nós e mais do que nunca passamos a ficar atentos aos ruídos vindo do céu. E após tudo isso, e tanto tempo, nos vemos na eminência de receber no lugar de um sonho de pais subdesenvolvido, "12" aviões usados,(Pior do que qualquer um dos 5 que fosse escolhido) que se pensar-mos bem combinam perfeitamente com a "ideia e a falta de imaginação" daqueles que nunca repararam no ruído de um motor vindo do céu, e muito menos se preocuparam um dia, em olhar para o céu.

Sempre olharam apenas para o chão.

Não aprenderam sequer a fazer um avião de papel, quanto mais imaginar o que é um país responsável e orgulhoso de si mesmo. Mas não vamos deixar de imaginar, sonhar, debater e resolvermos nossos problemas do dia a dia por causa disso. Os políticos, governantes e mandatários de qualquer esfera de poder...passam. Os aviões de papel continuarão sendo feitos pelas crianças que estão crescendo e olhando para o céu.


Este texto é da autoria de Ricardo Rodrigues e foi publicado em 14.07.2005.


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